Título: ONU deve balizar debate sobre clima, diz Lula
Autor: Lamucci, Sergio
Fonte: Valor Econômico, 06/10/2009, Brasil, p. A4
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que cada país precisa assumir a sua responsabilidade na luta contra as mudanças climáticas, reivindicando que a Organização das Nações Unidas (ONU) seja a referência internacional para o balizamento dos números envolvidos na discussão, como o volume que cada nação emite de gases do efeito estufa. "Desse modo, você sabe a responsabilidade de cada um, vai saber quanto cada um terá de fazer de reflorestamento ou quanto vai ter de reduzir de emissões", disse Lula, ao chegar ontem em Estocolmo, onde participa hoje da 3ª Cúpula Brasil -União Europeia (UE), reunião em que a questão ambiental será um dos pontos centrais em discussão.
Lula voltou a insistir que o combate às mudanças climáticas não pode passar pelo sacrifício do desenvolvimento das nações mais pobres. "Os países ricos não podem achar que os países pobres tem que continuar pobres e preservar suas florestas, enquanto eles continuam crescendo e construindo muito. É preciso que haja possibilidade de os países pobres se desenvolverem", disse.
Segundo Lula, trata-se de uma "discussão mais profunda", que o Brasil fará "com maturidade". "De uma coisa todo mundo tem certeza: é preciso recuperar a qualidade de vida no planeta, e aí nós temos que diminuir as emissões e estamos dispostos a fazer isso".
O presidente brasileiro afirmou que a posição brasileira a ser levada para a cúpula do clima, marcada para Copenhague, em dezembro, "está sendo construída". "Nós temos muita gente trabalhando nisso. O Ministério do Meio Ambiente, o Itamaraty, o companheiro Pinguelli (Luiz Pinguelli Rosa), que coordena a comissão nacional sobre clima, e a própria companheira Dilma (Rousseff, ministra da Casa Civil)", disse Lula, lembrando que o país já teve encontros com países como a França e já discutiu o assunto no âmbito do G-20 (os 19 países mais industrializados do mundo mais a UE).
Ele se mostrou disposto inclusive a ir a Copenhague, caso outros presidentes compareçam à cúpula do clima em dezembro. "Se os presidentes vierem, eu estarei em Copenhague com a minha delegação para não apenas mostrar o que estamos fazendo na Amazônia, o zoneamento agroecológico, mas também o que nós achamos que os outros têm que fazer."
Lula aproveitou também para dizer que chegou a hora de o Brasil obter um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), depois de comentar a escolha do Rio de Janeiro para sediar a Olimpíada de 2016. "Acho que foi uma conquista muito bonita (o direito de organizar os Jogos Olímpicos). O Brasil merecia e agora vamos ver se a gente tem outras conquistas. Eu ainda acho que o Brasil precisa conquistar o Conselho de Segurança das Nações Unidas."
Para Lula, é uma questão que está muito madura. "Acho que é uma questão de tempo. Eu quero ver se a gente conquista porque aí a gente vai democratizar a ONU, vai ser melhor para o mundo e vai ser bom para o Brasil", disse ele, ressalvando, porém, que "de qualquer forma nós temos que ir devagar nisso", para não despertar ciúme ou uma disputa desnecessária. Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido são os cinco membros permanentes do conselho de segurança, que tem ainda dez integrantes rotativos, eleitos a cada dois anos.
O jornalista viajou a convite da União Europeia