Título: Indústria reage e puxa contratações em setembro
Autor: Galvão , Arnaldo
Fonte: Valor Econômico, 15/10/2009, Brasil, p. A4
O mês de setembro registrou o melhor resultado do ano na criação de empregos com carteira assinada, com saldo de 252.617 vagas entre contratações e demissões. A indústria, em movimento de recuperação, foi o setor que mais contribuiu para o resultado. Os números positivos levaram o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a elevar de 1 milhão para 1,1 milhão sua previsão de resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em 2009.
Na comparação com o saldo do Caged em setembro de 2008, o resultado é 10,68% inferior. Entre janeiro e setembro, o governo contabilizou a criação de 932.651 vagas, o que significa queda de 55,3% sobre o número do mesmo período em 2008.
Em setembro, a indústria criou 123.318 empregos formais, o que representa o melhor desempenho setorial do mês e a volta ao nível de setembro do ano passado, quando foi verificado saldo de 114.002 vagas. De janeiro a setembro, o saldo da indústria, no Caged, é de 62.759 empregos, oito vezes menor que o saldo do mesmo período em 2008.
O pior período para o mercado de trabalho nas indústrias foi entre novembro de 2008 e março de 2009, com perda de 501.390 empregos. O mês com o resultado mais negativo foi dezembro, com perda de 273.240 postos.
As informações do emprego industrial, em setembro, mostraram que o segmento mais dinâmico foi o da produção de alimentos, com criação de 62.732 vagas. Em seguida, vieram as áreas têxtil (10.502), calçadista (8.893), metalúrgica (8.069), química (7.908), mecânica (6.156), material de transporte (4.441) e minerais não metálicos (3.369).
O setor de serviços foi o segundo a criar mais empregos formais em setembro (62.768 vagas), mas, no ano, é o que obteve melhor desempenho, com saldo de 411.426 postos de trabalho. Nos mesmos nove meses de 2008, a geração de empregos nos serviços foi 67,7% maior.
Em segundo lugar, no ano, vem a construção civil, com saldo de 184.204 vagas de janeiro a setembro. Esse resultado é 38,77% menor que o do mesmo período no ano passado. Depois de serviços e construção, os demais setores são agricultura (130.044), comércio (101.472) e indústria (62.759).
Os números do Caged também mostram que, em setembro, a região Nordeste foi a que mais criou empregos formais, com saldo de 100.442 vagas. Em seguida, vêm Sudeste (85.864), Sul (40.842), Norte (13.550) e Centro-Oeste (11.919). O desempenho do Nordeste foi explicado pelo forte ritmo do segmento sucroalcooleiro.
Entre os Estados, São Paulo foi o que criou mais vagas em setembro, com saldo de 59.547 postos de trabalho entre contratações e demissões. De janeiro a setembro, São Paulo também é o primeiro colocado entre as unidades da federação, com 329.946 empregos, quase um terço de todas as vagas criadas no país nesse período.
Segundo o ministro Carlos Lupi, o Caged, em outubro, terá resultado melhor que o de setembro, porque a indústria vem reagindo bem. Ele também comentou que é normal a liberação de recursos extraordinários (R$ 1 bilhão) para o seguro-desemprego, mas disse que vem caindo a procura por esse benefício, sem dar informações atualizadas sobre essa despesa.
O ministro reafirmou que apoia a elevação de 10% para 30% no limite da conta vinculada dos trabalhadores, no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que pode ser aplicado nos fundos de investimento em infraestrutura. A medida acaba de ser aprovada no Congresso, mas depende de sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Lupi, a mudança é vantajosa para os trabalhadores e tem de ser analisada "com carinho". Apesar disso, ponderou que os integrantes do Conselho Curador do FGTS têm a palavra final.