Título: Por caças, Boeing, Dassault e Saab miram a Embraer
Autor: Fariello, Danilo
Fonte: Valor Econômico, 15/10/2009, Brasil, p. A5
A indústria nacional foi abertamente cortejada pelos três concorrentes ao fornecimento de 36 caças à Força Aérea Brasileira (FAB) em audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados, ontem. Em evento criado especificamente para tratar de transferência de tecnologia, as três concorrentes, Boeing (EUA), Saab (Suécia) e Dassault (França) resolveram dirigir seus lobbies principalmente para a Embraer e suas fornecedoras da região de São José dos Campos (SP), que foram apresentadas como as maiores beneficiárias do projeto F-X2.
Pela primeira vez, todos os concorrentes afirmaram que montarão os caças no Brasil. A transferência de tecnologia é um dos itens avaliados pelo governo brasileiro na escolha do fornecedor.
Os suecos da Saab estão dispostos até a promover uma parceria estratégica com a Embraer. "Definiria-se uma co-propriedade industrial das tecnologias específicas do Gripen NG Brasil, tornando aquela aeronave um verdadeiro produto Embraer-Saab", disse Bengt Janér, diretor da empresa sueca no Brasil. O vice-presidente da Saab para vendas internacionais, Bob Kemp assegurou, ainda, que planeja 40% de toda a produção dos caças no Brasil e que, portanto, cerca da metade de todo o valor pago pelos caças permanecerá no país.
Robert Gower, vice-presidente da Boeing garantiu que toda a tecnologia solicitada pela FAB será transferida, mas destacou que há limites comerciais para transferência irrestrita. "Não podemos transferir tecnologia de um chip da Intel que faz parte do avião", citou como exemplo. Gower destacou que transferirá tecnologias de fuselagem e das asas dos caças Super Hornet, um pleito da Embraer que poderia ter a tecnologia adaptada para aeronaves da empresa, como o KC-390. O americano lembrou que a tecnologia dos EUA já ajudou a formar a base para expansão daquela empresa. "Acreditamos que a proposta do Super Hornet da Boeing para a concorrência F-X2 possibilitará o mesmo crescimento robusto em múltiplos nichos de mercado."
Tanto a Saab como a Boeing preveem a transferência de tecnologia para futura exportação de componentes dos caças pela indústria brasileira.
A Dassault, que concorre com os caças Rafale, lembrou que o governo francês já autorizou a exportação de armamentos e tecnologia ao Brasil. "Transferiremos toda a tecnologia para as empresas brasileiras, disse o diretor da Dassault, Jean-Marc Merialdo, que citou a Embraer e centros de pesquisas brasileiros como parceiros nas pesquisas de tecnologia para a fabricação. Convidado pela comissão, o presidente da Embraer, Frederico Fleury, não apareceu.
Maior alvo de críticas na comissão, a Dassault foi questionada por deputados sobre a sua saúde financeira, que teria na operação com o Brasil a sua salvação. "A saúde da Dassault não está em questão e não precisou ser salva pelo (presidente) Sarkozy. O faturamento e a margem de lucro estão estáveis há anos", disse Merialdo.
As concorrentes ainda esperam um relatório final a ser apresentado pela FAB, que deverá avaliar as propostas finais já enviadas pelas três empresas há duas semanas. A partir desse relatório, o Executivo deverá indicar qual a vencedora do F-X2.