Título: PSB intensifica agenda para manter Ciro no páreo
Autor: Ulhôa , Raquel
Fonte: Valor Econômico, 21/10/2009, Política, p. A12
Em reação à ofensiva deflagrada pelo PT e pela ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, sobre os partidos da base governista, em busca de pré-acordos para 2010, o PSB decidiu procurar os mesmos aliados, numa tentativa de deixar a porta aberta a eventual apoio à candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB-SP) à Presidência da República.
Segundo o secretário-geral do partido, senador Renato Casagrande (ES), serão conversas institucionais, para aproximação, avaliação da conjuntura política e análise da possibilidade de composição do palanque de Ciro: "Todos os partidos da base serão procurados, independentemente dos pré-acordos que o PT vem fazendo. Achamos que as alianças só serão decididas mais à frente".
A decisão foi tomada na terça-feira, em reunião de parte da cúpula do partido. Foi o primeiro encontro depois que Ciro transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo, para atender a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação do PSB, a pré-candidatura de Ciro a presidente precisa ser fortalecida.
"Estamos conscientes de que vai haver pressão grande do governo e do PT sobre todos os partidos, para isolar Ciro. Mas esses pré-acordos agora são relativos. As alianças serão decididas lá na frente e dependerão de muitos fatores, inclusive do desempenho do candidato", disse o líder do PSB na Câmara dos Deputados, Rodrigo Rollemberg (DF). Para ele, o PSB ainda está "tímido" nas conversas com partidos aliados.
Participaram da reunião, além de Casagrande e Rollemberg, o primeiro vice-presidente, Roberto Amaral, o primeiro secretário nacional, Carlos Siqueira, e o primeiro secretário nacional de finanças, deputado Márcio França (SP). Foi feita uma avaliação da pressão feita pelo PT nacional sobre os partidos aliados para deixar Ciro isolado, forçando-o a trocar a disputa pela Presidência pelo governo de São Paulo.
Por outro lado, o PSB também discutiu a reação de uma ala do PT de São Paulo contra uma eventual candidatura do deputado ao governo do Estado. "Se houver uma cristalização dessa radicalização em São Paulo, a candidatura de Ciro a presidente será irreversível. Ninguém terá o direito de pedir que ele desista", afirmou Rollemberg. Segundo ele, a transferência do domicílio eleitoral de Ciro foi feita para atender a apelo de Lula. O PSB queria evitar uma acusação futura de não ter cumprido parte de acordo.
Até a possibilidade de uma candidatura isolada de Ciro foi considerada na reunião de terça-feira. Roberto Amaral, primeiro vice-presidente, fez um relato da campanha de 2002, quando o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho disputou a presidência pelo PSB, contra Lula e sem apoio do próprio partido em muitos Estados. Apesar das dificuldades, obteve 18 milhões de votos (15% do total), deixando de ir para o segundo turno por pouco.
O PSB está decidido a tentar consolidar a candidatura de Ciro a presidente, ainda que seja para mantê-lo como trunfo em acordo futuro para o governo de São Paulo: se ele tiver que concorrer a governador, que seja com apoio afirmativo do PT. Mas a aposta do PSB é outra. A direção acha que Ciro empolga o partido nos Estados e tem uma candidatura mais atraente do que a dos dois que atualmente polarizam a disputa, governador José Serra (PSDB), de São Paulo, e a ministra Dilma.
Na avaliação feita na reunião do PSB, muita surpresa ainda pode acontecer no processo eleitoral, o que autoriza a manutenção da candidatura de Ciro a presidente como alternativa ao projeto nacional de continuidade do governo Lula. Até mesmo o governador Eduardo Campos, inicialmente contrário à participação de Ciro na disputa ao Palácio do Planalto, hoje tem dito aos demais dirigentes que ele só deve optar pelo governo de São Paulo se representar uma ameaça à vitória do projeto nacional de Lula.
Por enquanto, o PSB pretende intensificar as viagens de Ciro aos Estados e os eventos dele como pré-candidato. Uma agenda de conversa com aliados está sendo montada. Mas não há pressa, dizem os dirigentes do PSB, apesar da desenvoltura com que Dilma ter se encontrado com os partidos da base. Nessa semana, ela jantou com a cúpula do PR (Partido da República, ex-PL). Além do PR e do PT, já estão adiantados os entendimentos para um pré-acordo com PMDB, PDT e PCdoB.