Título: Para atrair brasileiros, Colômbia oferece garantias e incentivos a investidores
Autor: Maia , Samantha
Fonte: Valor Econômico, 20/10/2009, Brasil, p. A3

Uma comitiva de aproximadamente 90 empresários colombianos veio ao Brasil acompanhada do presidente Álvaro Uribe com a intenção de aumentar os negócios entre os dois vizinhos. É a quarta vez que o líder colombiano visita o país somente neste ano. Ele chamou atenção para os números da corrente de comércio entre as nações, que de janeiro a setembro chegou a US$ 1,3 bilhão, uma queda de 29% em relação ao ano passado. Em 2008, o valor ficou em pouco mais de US$ 3 bilhões.

Segundo Uribe, o valor é expressivo, se for considerado que em 2003 era de US$ 800 milhões, mas ele enfatizou que a Colômbia ainda exporta pouco e acumula déficit comercial. "Ainda há muito que avançar", disse ontem em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Para uma base de comparação, a corrente comercial do Brasil com a Argentina chega a US$ 30 bilhões.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou um desafio aos empresários: duplicar a corrente de comércio entre Brasil e Colômbia. "É possível dobrar, no mínimo, esse valor", disse Lula. Ele acredita também que o montante atual de investimentos do Brasil no país vizinho, de US$ 1,3 bilhão, poderia ser superior. "O BNDES tem dinheiro para isso. Precisamos ter projetos."

O Brasil é o terceiro maior investidor na Colômbia, segundo Lula. A Colômbia, por sua vez, é o quinto maior destino dos investimentos brasileiros. "A Colômbia é um sócio indispensável do Brasil na integração continental", disse Lula.

Desde 2002, o comércio entre os vizinhos cresceu sete vezes, de acordo com Luis Guillermo Plata Páez, ministro colombiano de Comércio, Indústria e Turismo. Apesar da boa evolução, o ministro aponta que problemas como as altas taxas de impostos travam o avanço dos investimentos estrangeiros no país. "Temos o segundo imposto mais alto do mundo, só perdemos para o Congo", diz o ministro.

Como forma de atrair as empresas brasileiras, ele apresentou a política nacional de zonas francas, onde a carga tributária, hoje em 33%, fica reduzida a 15%. Para uma companhia estrangeira se instalar nesses locais, ela deve investir ao menos US$ 8 milhões e criar 500 empregos, no caso das indústrias. Para serviços, o investimento exigido é de US$ 2 milhões, e para a agroindústria, de US$ 18 milhões.

Outro incentivo aos investimentos é a garantia de que os contratos entre empresas e o governo ficam inalterados no mínimo por 20 anos, independentemente de mudanças políticas no país. "Assim, o investimento fica protegido de alterações de governo e de políticas tributárias", diz o ministro.

Segundo Uribe, os principais setores interessados em atrair investimentos brasileiros são os de infraestrutura e biocombustíveis. "Esperamos ter a participação do Brasil em projetos que integrem a região." Ele também citou o exemplo do Brasil no etanol, dizendo que a Colômbia tem seguido os mesmo passos. "Estamos sendo bons alunos."