Título: Setor quer seguro com apoio de Caixa e BB
Autor: Grabois , Ana Paula
Fonte: Valor Econômico, 19/10/2009, Brasil, p. A5
No mercado de polpa de celulose, a recuperação dos preços internacionais em dólar está sendo insuficiente para compensar a desvalorização da moeda americana. Segundo Fernando Henrique Fonseca, presidente da Cenibra, empresa com produção prevista para este ano de 1,2 milhão de toneladas do produto, 93% das quais destinadas ao mercado externo, o setor busca medidas de apoio indireto do governo federal.
Os empresários do setor aguardam a resposta dos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Miguel Jorge, ao pedido para que as instituições financeiras controladas pelo governo federal, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, assumam o seguro de crédito no exterior. "Hoje nenhuma seguradora está fazendo e todo mundo está operando a descoberto, assumindo o risco de mercado", afirmou Fonseca, que atribui a dificuldade de se conseguir a operação no sistema financeiro privado ao atual nível da cotação do dólar.
De acordo com o executivo, mesmo a recuperação de preços ainda não atingiu os níveis pré-crise. A China, responsável por 34% das encomendas, está pagando cerca de US$ 500 a tonelada. A União Europeia paga US$ 600 e os Estados Unidos, US$ 650. "Antes da crise, mesmo a China pagava US$ 700", afirmou Fonseca. O executivo projeta o encerramento de 2009 com uma alta de 3% a 4% na produção em relação a 2008, e uma queda de faturamento da ordem de 15%. Em 2008, a Cenibra faturou R$ 1,262 bilhão.
"A desvalorização do dólar só nos dá um benefício: o do desembolso financeiro, já que a dívida do setor também é dolarizada. Nossos principais custos, a matéria-prima vegetal e a mão de obra, são nacionais", disse. Nos produtos químicos, como a soda cáustica, que são passíveis de substituição por importações, a empresa conseguiu descontos. "Estes produtos estão acompanhando a flutuação do preço da tonelada de celulose."
No setor de celulose, a expectativa de Fonseca é de uma diminuição da rentabilidade a longo prazo. "É um quadro semelhante ao que acontece com o minério de ferro. Os destinos tradicionalmente mais valorizados, como Europa e Estados Unidos, com consumo per capita muito alto, tinham margem para a redução das compras e continuam com a demanda muito baixa. A China, onde o consumo per capita é baixo, permanece com a demanda aquecida, mas paga menos. Isto não deve se alterar nos próximos anos", afirmou.