Título: Disputa pelo diretório ditará rumos da sigla em MG
Autor: l Ulhôa , Raque
Fonte: Valor Econômico, 28/09/2009, Política, p. A10
A capacidade do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), de conduzir o seu partido em Minas Gerais para a construção de alianças será testada no próximo mês, com a escolha dos novos diretórios municipais. Dependerá do novo desenho das lideranças locais a disputa entre o deputado federal Antonio Andrade, apoiado por Hélio Costa; e o deputado estadual Adalclever Lopes, apoiado pelo ex-governador Newton Cardoso, pelo comando da sigla em Minas.
Se eleito, Andrade, integrante da bancada ruralista na Câmara, usará o PMDB mineiro como trunfo para conseguir um acordo nacional das cúpulas pemedebista e petista que impeça a candidatura própria do PT em Minas. Para isso, Andrade irá manter uma porta aberta para um apoio regional pemedebista ao PSDB. "Nós vamos apoiar em termos nacionais quem nos apoiar em Minas. O PMDB mineiro é individualmente o que mais pesa na convenção nacional do partido, em número de delegados. É mais de 10%", disse o parlamentar.
A fidelidade de Andrade a Hélio Costa é integral. "Nosso candidato era o presidente regional Fernando Diniz, que morreu de forma súbita. Tentamos uma composição que nos garantisse a candidatura própria ao governo estadual, mas não deu. Então pediram que eu entrasse. Minha missão é garantir tranqüilidade para Hélio Costa fazer a sua campanha", afirmou.
O adversário Adalclever Lopes é impulsionado por um rival temível para o ministro: candidato a deputado federal, Newton Cardoso, que é, possivelmente, o político com a imagem pública mais desgastada em Minas, mas tem sido virtualmente imbatível em convenções. Ganhou a de 1986, quando, posteriormente, elegeu-se governador, e a de 2002, tirando a legenda para o então governador Itamar Franco tentar a reeleição.
Em 2006, impôs-se como candidato ao Senado. Fez com que Hélio Costa saísse do partido para ser candidato a governador em 1990. Sua única concessão foi em 1998, quando recuou da pretensão de disputar o governo e compôs como vice a chapa de Itamar, eleita naquele ano.
"Ele nunca perdeu, mas para tudo tem a primeira vez. O partido está com um candidato a governador que lidera as pesquisas, e este é um elemento muito forte", comentou Andrade. Adalclever ainda tem um sócio oculto em sua candidatura: o grupo petista alinhado com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, que disputa a candidatura petista ao governo com o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. A vitória de Adalclever é estratégica para Pimentel, já que limita a ação de Hélio Costa, devolvendo o comando do partido a Newton.
No lançamento da candidatura de Adalclever, no final de julho, em uma das muitas fazendas de Newton Cardoso, foi apresentada uma plataforma de quinze pontos, em que se descarta por completo qualquer composição entre o PMDB e o PSDB. O PMDB ficaria , então, atrelado ao chamado bloco de esquerda ( PT e PC do B) para qualquer composição. "O PMDB de Minas, foi o único no País a formalizar coligações com o PT nas eleições de 2006. Somos o principal partido da base de sustentação do governo Lula em que conduzimos cinco ministérios. Tivemos o mineiro deputado Saraiva Felipe no ministério da Saúde, hoje temos o ministro Hélio Costa , pré-candidato ao governo, no ministério das Comunicações. Vamos seguir construindo a vitória, buscando aliados no campo em que estamos", dispôs o manifesto de lançamento da candidatura de Adalclever.
Anteontem, ao formalizar o lançamento de sua pré-candidatura, Pimentel pronunciou-se de maneira complementar a de Adalclever. "Vamos constituir o bloco de centro-esquerda, PT, PMDB e PC do B , na Assembleia Legislativa. E vamos caminhar agora para definir qual é o melhor desenho da chapa. Nós precisamos definir o campo em que vamos estar. O momento é de afastar dubiedades", afirmou a jornalistas.