Título: Resultado da Vale mostra recuperação no pós-crise
Autor: Durão, Vera Saavedra
Fonte: Valor Econômico, 29/10/2009, Eu&, p. D7
O desempenho da Vale no terceiro trimestre de 2009, quando a empresa apresentou um lucro R$ 3 bilhões, 61,3% abaixo dos R$ 7,7 bilhões do mesmo período do ano passado, ficou dentro das expectativas do mercado. Mas um exame mais apurado dos dados do balanço indica que a companhia continua tendo que apertar o cinto para ter um balanço positivo. Em relação ao segundo trimestre de 2009, o lucro entre julho e setembro cresceu 104,8%.
Apesar de a Vale ter obtido um ganho financeiro por conta da desvalorização cambial de R$ 199 milhões, o lucro da companhia foi influenciado negativamente pelo impostos, com pagamento R$ 1,8 bilhão ao Fisco.
A receita líquida do período atingiu R$ 13,5 bilhões por conta do aumento de 35% no volume de vendas de minério e pelotas - que somou 75 milhões de toneladas, além de maiores preços. O faturamento caiu 36% na comparação com os R$ 20,6 bilhões do mesmo período de 2008. Em relação ao segundo trimestre, a receita subiu 23%.
O resultado operacional da Vale neste terceiro trimestre, mostrou um lucro operacional antes do resultado financeiro de R$ 4,5 bilhões, uma queda de 54% ante os R$ 10,1 bilhões do ano passado. A queda do lucro operacional em relação ao mesmo período de 2008 foi maior que a da receita líquida, sinalizando que os cortes que a Vale continua fazendo, inclusive nas despesas administrativas (pessoal), que caíram 14% ante o mesmo período de 2008 e continuaram declinando ante o segundo trimestre, ainda não foram suficientes para remunerar a estrutura gigante que ela tem, afetada pelo impacto da crise.
As pressões políticas do governo por causa das demissões feitas pela companhia e dos cortes nos investimentos certamente têm inibido a Vale a reduzir mais fortemente suas despesas para manter com mais folga as contas no azul. Uma receita maior, mais compatível com o tamanho da empresa, pode melhorar a situação.
Os números referentes aos custos dos produtos vendidos mostram que a empresa continua controlando custos. Na comparação com o segundo trimestre, eles aumentaram apenas 4% apesar da retomada da produção em várias minas e pelotizadoras. A margem bruta do período melhorou 10 pontos percentuais ante o segundo trimestre, atingindo 47,3%, mas ainda está abaixo dos 58,2% do terceiro trimestre do ano passado.
O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (lajida) da companhia foi de R$ 6,031 bilhões entre julho e setembro, uma queda de 46,9% na comparação com os R$ 11,352 bilhões de igual período do ano passado. Em relação aos R$ 3,464 bilhões do segundo trimestre, houve avanço de 74,1% nesse indicador de desempenho operacional.
O lucro líquido do período foi fortemente influenciado pelo pagamento de R$ 1,8 bilhão ao Imposto de Renda, ante um crédito de R$ 111 milhões no terceiro trimestre de 2008.