Título: Recordes à vista para a safra brasileira
Autor: Felício , César
Fonte: Valor Econômico, 20/11/2009, Agronegócios, p. B10

O ano de 2010 deverá ser de recordes para a cafeicultura brasileira. Passado o período mais crítico da crise financeira mundial, que abateu os ânimos da cadeia cafeeira, indústrias, exportadores e produtores brasileiros deverão ter resultados surpreendentes em volumes negociados dentro e fora do país.

A expectativa é de que a produção brasileira fique entre 50 milhões e 55 milhões de sacas de 60 quilos, batendo os 48 milhões de sacas atingidos na safra 2002. O mercado ainda está atento às chuvas que caíram sobre as regiões produtoras durante o período de florada para ajustar seus números.

"O Brasil terá uma safra maior em 2010", diz Néstor Osorio, diretor-executivo da OIC (Organização Internacional do Café). Para este ciclo, 2009/10, a produção deverá ficar em 39 milhões de sacas, volume menor por conta do período de bianualidade da cultura (produtividade baixa a cada dois anos).

Os exportadores também deverão obter resultados surpreendentes no ciclo 2010/11 (de julho a junho), com embarques superiores aos de 2008/09, que bateu recorde, com 31,4 milhões de sacas.

O consumo, que deu sinais de desaceleração entre o fim de 2008 e o primeiro trimestre deste ano, e que prometia crescimento tímido de 3%, já cresceu 8% até setembro. A expectativa, conforme Nathan Herszkowicz, diretor da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), é de que atinja 18,5 milhões de sacas em 2009, ante 17,2 milhões em 2008. Os números de 2010 poderão ser 5% maiores.

Os dados atuais de produção e consumo global de café beneficiam o Brasil. As estimativas, ainda preliminares da OIC, indicam que a produção mundial do grão deve ficar entre 123 milhões e 125 milhões de sacas de 60 quilos na safra 2009/10, ante 128 milhões do ciclo 2008/09. O consumo deverá saltar 130 milhões de sacas para 131 milhões a 132 milhões de sacas para 2009/10, segundo previsões preliminares de Osorio, que participa do 17ª edição do Encafé (Encontro Nacional das Indústrias de Café).

Apesar dos bons volumes de produção, consumo e exportação, a cadeia produtora enfrenta baixa rentabilidade, uma vez que os preços internacionais, embora firmes entre US$ 1,25 a US$ 1,40 por libra-peso, não encontram novo viés de alta. O real valorizado sobre o dólar e os altos custos de produção, como reflexo da guinada nos preços do insumos, limitam os ganhos dos produtores, disse Osorio.

Os preços internacionais do grão tiveram forte alta nos últimos meses em decorrência da quebra da safra de café da Colômbia, que deve ficar em cerca de 8,5 milhões de sacas ante média de 11 milhões a 11,5 milhões de sacas nos últimos anos. Os países da América Central também tiveram perdas, de 1,5 milhão de sacas.

Osorio observa que os preços internacionais do grão há alguns meses estão sendo influenciados pelos fatores macroeconômicos desde que o início da crise financeira global. O mercado também já começa a olhar os volumes recordes que deverão ser colhidos pelo Brasil a partir de junho de 2010. Isso deverá influenciar diretamente os preços. Apesar do novo ciclo de baixa que poderá vir no médio prazo, a cadeia comemora a demanda firme no mercado interno e internacional.