Título: China anuncia meta para suas emissões
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Fonte: Valor Econômico, 27/11/2009, Internacional, p. A12
A China anunciou ontem que pretende conter suas emissões de gases que provocam o efeito estufa em 40% a 45%, por unidade de produção econômica, até 2020, requisito básico para viabilizar um acordo mundial para enfrentar as mudanças climáticas em dezembro na conferência de Copenhague.
Pequim também disse que Wen Jiabao, o primeiro-ministro, deverá participar das conversações na Dinamarca. Analistas disseram que as decisões evidenciam a seriedade com que Pequim está encarando o debate sobre as mudanças climáticas.
A meta para a intensidade de emissões de carbono implica reduzir a quantidade de carbono emitido por unidade de Produto Interno Bruto (PIB), e não é sinônimo de redução nas emissões. Na realidade, às atuais taxas de crescimento, a economia chinesa dobrará de tamanho até 2020 e suas emissões serão consideravelmente maiores, mesmo se cumprir a nova meta.
O anúncio seguiu-se à promessa dos EUA, divulgada na quarta-feira, de cortar suas emissões em 17% até 2020, sujeita à aprovação pelo Congresso americano.
Yvo de Boer, principal autoridade da ONU para mudanças climáticas, que presidirá as conversações em Copenhague, disse: "O compromisso americano em relação a metas específicas de cortes nas emissões no médio prazo e o compromisso chinês quanto a ações específicas no terreno de eficiência energética podem destravar as duas últimas portas [de acesso a] um acordo abrangente."
Mas ele disse que permanecem pendentes de solução algumas questões críticas, especialmente a que envolve os países desenvolvidos darem ajuda financeira ao mundo em desenvolvimento para permitir que este corte emissões e enfrente os efeitos do aquecimento mundial.
Uma alta autoridade americana disse ao "Financial Times" que os EUA não têm planos iminentes de discutir um compromisso sobre ajuda financeira.
A China ainda não estabeleceu uma data que sirva de alvo para um pico em suas emissões de carbono, embora haja especulações de que os negociadores chineses anunciarão tal compromisso em Copenhague.
O compromisso de reduzir a intensidade de geração de gases estufa é a mais recente evidência de que Pequim está implementando políticas vigorosas, mas algumas instituições estão pressionando Pequim a ir além. "Em vista da urgência e da magnitude da crise das mudanças climáticas, a China precisa adotar medidas mais vigorosas", disse Ailun Yang, do Greenpeace China.
Um diplomata europeu em Pequim assinalou que a nova meta sugere que a China deverá conseguir menores avanços em eficiência energética no curso da próxima década do que estava até agora impondo à sua indústria. "Eles já tomaram muitas das medidas mais fáceis." -------------------------------------------------------------------------------- adicionada no sistema em: 27/11/2009 12:41