Título: Meirelles indica executivo do BB para lugar de Torós
Autor: Ribeiro , Alex
Fonte: Valor Econômico, 17/11/2009, Brasil, p. A6

O diretor de política monetária do Banco Central, Mário Torós, será substituído pelo economista Aldo Mendes, funcionário de carreira do Banco do Brasil. Torós cumprirá um período de transição no cargo até que a indicação de Mendes seja aprovada no Congresso Nacional.

O BC anunciou a troca na sua diretoria três dias depois da publicação de entrevista de Torós ao Valor que revela bastidores da estratégia do governo para o combate à crise internacional. Torós já havia, entretanto, comunicado ao presidente do BC, Henrique Meirelles, sua intenção de deixar a diretoria colegiada há algumas semanas. Depois de dois anos no BC, era seu desejo voltar a iniciativa privada e ficar perto da família, que vive em São Paulo. Ele já havia dito a Meirelles que não pretendia participar da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Outro que está próximo de deixar o BC é o diretor de liquidações, Antonio Gustavo Matos do Vale.

Ao longo desse período, Meirelles vinha procurando um substituto à altura de Torós. Mendes foi escolhido na semana passada. Na quinta-feira, um dia antes da publicação da reportagem do Valor, Meirelles levou a indicação ao presidente Lula, que deu a sua concordância.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, sentiu-se atingido pelas revelações da reportagem do Valor e, durante o fim de semana, fez pressão para a saída de Torós. Mas não conseguiu fazer o sucessor do diretor de política monetária do BC. Mendes é um técnico independente dentro BB, sem vinculações políticas. Sua carreira no banco foi mais prejudicada do que alavancada pelo ministro da Fazenda.

Economista com doutorado pela Universidade de São Paulo, Mendes, 51 anos, foi vice-presidente de finanças do BB nas administrações de Rossano Maranhão e de Antônio Francisco de Lima Neto. É funcionário de carreira do BB, hoje já aposentado, que subiu todos os degraus na hierarquia do banco, até chegar à diretoria colegiada. Atualmente, Mendes é o presidente da Companhia de Seguros Aliança do Brasil.

A saída de Mendes da diretoria colegiada do BB foi uma consequência dos esforços de Mantega para controlar o banco federal. Lima Neto havia sido nomeado diretamente pelo presidente Lula, por indicação de seu antecessor, Rossano Maranhão. Por isso, Lima Neto não respondia diretamente a Mantega. Ele deixou o cargo sob a acusação de ter elevados os "spreads" bancários em meio à crise financeira. Para o seu lugar, foi nomeado o atual presidente, Aldemir Bendine. Inicialmente, Mendes permaneceu no cargo, até ser deslocado para o comando da Aliança do Brasil.

Torós assegurou a Meirelles que irá cumprir todo o processo de transição ao cargo, transmitindo todas as informações a Mendes. Ele manteve ontem sua agenda normal de diretor do BC. No fim da tarde, participou de uma cerimônia que marca os 30 anos da Selic, o sistema de liquidação de títulos públicos federais.

Mendes tem uma carreira reconhecida no mercado financeiro. Ele já foi vice-presidente da Andima e integrou os conselhos de administração da BM&F e Central Interbancária de Pagamentos (CIP). No BB, teve participação central nos processos de compra do Votorantim e da Nossa Caixa.