Título: Pré-candidato, Fogaça sai em busca do PDT
Autor: Bueno , Sérgio
Fonte: Valor Econômico, 08/12/2009, Política, p. A6

O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), encerrou um mistério que durava meses e assumiu ontem a pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Sul. Ele ainda condicionou a participação na eleição de 2010 à formação de uma aliança que garanta "apoio suficiente" para vencer a disputa, mas agora o partido não deverá ter dificuldades para atrair pelo menos o PDT, que ocupa a vice-prefeitura e assumirá a administração da cidade se o prefeito deixar o cargo para concorrer.

A candidatura de Fogaça era a principal exigência dos pedetistas para apoiar o PMDB e diante do quadro de indefinição eles vinham acenando com a possibilidade de sair com candidato próprio ou apoiar o pré-candidato do PT e ministro da Justiça, Tarso Genro, que lidera as pesquisas de intenção de voto divulgadas até agora. Segundo o prefeito, "o diálogo com o PDT é absolutamente essencial" e outro aliado "imprescindível" é o PTB, que também participa do governo municipal, mas chegou a lançar pré-candidatura própria e vem sendo cortejado pelos petistas.

"Não vou fazer nenhuma aventura", disse Fogaça, para quem deixar a prefeitura antes de encerrar o segundo mandato será um "sacrifício doloroso". De acordo com ele, sozinho o PMDB não tem condições de vencer a eleição no Estado e a candidatura não pode ser "um salto mortal em direção ao abismo". Há menos de duas semanas o ex-governador Germano Rigotto, que também vinha sendo cotado para concorrer pelo partido, desistiu da disputa alegando que o prefeito teria melhores condições de articular uma aliança com o PDT e o PTB.

Fogaça apoiava formalmente o nome de Rigotto, mas disse que depois da desistência do ex-governador decidiu aceitar a "responsabilidade e o dever" de concorrer para evitar que o partido ficasse "sem rumo" para 2010. "A angústia interna do partido estava pesando muito sobre meus ombros", comentou. Segundo ele, a partir de agora, com um nome definido, o PMDB deve iniciar as negociações com os possíveis aliados, inclusive sobre quem ficará com as vagas de vice-governador e senador na chapa majoritária.

A decisão do prefeito foi tomada no fim de semana e comunicada ontem depois de uma reunião da executiva estadual do partido. Ao lado do presidente do PMDB no Estado, senador Pedro Simon, dos deputados federais Eliseu Padilha, Ibsen Pinheiro, Mendes Ribeiro Filho e Darcísio Perondi e dos deputados estaduais Luiz Fernando Záchia e Alexandre Postal, ele não disse quando vai deixar o cargo, mas deu a entender que deve esticar o prazo. "Dia 30 de março é uma boa data para tomar uma decisão", afirmou.

Os pemedebistas também não especificaram quando vão entregar os cargos que ocupam no governo Yeda Crusius (PSDB), incluindo as secretarias da Saúde, da Habitação e do Desenvolvimento e Assuntos Internacionais. "Vamos sair do governo no momento oportuno", disse Simon. O senador afirmou ainda que o PMDB não vai "romper" com Yeda e classificou de "exagerada" a oposição feita pelo PT contra a governadora tucana, que é acusada, entre outras coisas, de se beneficiar de fraudes no Departamento de Trânsito (Detran) e de se apropriar de recursos da campanha de 2006.

Na semana passada, a deputada estadual Stela Farias (PT), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncias de corrupção no governo Yeda, disse ter tido acesso a gravações sigilosas que apontam para fraudes em licitações promovidas pela prefeitura de Porto Alegre. Na ocasião, Simon classificou as denúncias como uma tentativa "grotesca" de fragilizar uma eventual candidatura de Fogaça em 2010 e ontem o prefeito disse esperar que esse tipo de ataque não se repita durante a próxima campanha.