Título: Ricos e escolarizados avaliam que a vida melhorou mais
Autor: Ulhôa , Raquel
Fonte: Valor Econômico, 08/12/2009, Política, p. A6

Nos últimos dois anos, cresceu a percepção dos brasileiros com renda mais elevada de que sua vida "melhorou" ou "melhorou muito". Pesquisa realizada pelo Ibope para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada ontem, mostra um aumento (de 50% para 59%) de brasileiros que consideram sua vida melhor hoje, em comparação com 2007.

Apenas entre os entrevistados com renda inferior a um salário mínimo não houve alteração nessa percepção: nesse universo, o percentual dos que consideram que a vida melhorou continua o mesmo de 2007 (39%). Entre os que ganham de cinco a 10 salários mínimos, 73% dizem que sua vida está melhor. Para aqueles com renda maior de dez salários mínimos, esse percentual é de 67%.

O resultado da 28ª rodada CNI-Ibope reflete um otimismo geral do brasileiro com o ano de 2010 (92% acham que será "bom" ou "muito bom") e diminuição na preocupação com os efeitos da crise financeira na economia nacional. Para 72%, a economia sendo pouco ou não está sendo prejudicada. Há três meses, 67% tinham essa avaliação.

Segundo a pesquisa, a avaliação positiva do governo subiu de 69% em setembro para 72% em novembro, três pontos percentuais maior que em setembro e apenas um ponto percentual abaixo de dezembro de 2008, quando a crise econômica começou a ter os primeiros efeitos. A aprovação à forma como Lula governa também mostra recuperação. Passou de 81% para 83%. A confiança no presidente saiu de 76% para 78%.

A atuação do governo na área econômica é, mais uma vez, apontada pelo analista da MCI Estratégia, Amauri Teixeira, e pelo diretor de Operações da CNI, Rafael Luchesi, como explicação para a boa avaliação. Na área social, os entrevistados mostram desaprovação na atuação do governo, principalmente em relação ao combate à fome e à pobreza e na educação. Para Teixeira e Luchesi, o vazamento dos resultados e o adiamento da prova do Enem teriam motivado a avaliação negativa.

O Ibope pesquisou as intenções de voto para presidente. A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), candidata do presidente Lula, passou o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) e está em 2ºlugar, com diferença de 21 pontos percentuais do governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

Apenas dois cenários foram testados, cada um com um candidato do PSDB diferente: Serra ou o governador de Minas, Aécio Neves. Serra se mantém líder com 38%, três pontos percentuais a mais que tinha em setembro. Se a eleição fosse hoje, esse resultado daria ao tucano vitória em 1ºturno, porque o percentual dos votos dos seus adversários, somados, é menor que o seu (36%).

O crescimento de Serra, pouco acima da margem de erro da pesquisa (dois pontos percentuais), pode ter sofrido influência das inserções partidárias do PSDB, que foram veiculadas no rádio e na televisão dias antes da realização das entrevistas (26 a 30 de novembro).

Entre os cinco pré-candidatos hoje colocados, Ciro é o que tem pior resultado. Na rodada anterior, realizada em setembro, logo depois da veiculação do programa partidário do PSB, ele estava em segundo lugar. Agora perdeu o posto para Dilma, que ganhou dois pontos percentuais, uma oscilação dentro da margem de erro. Em terceiro lugar, Ciro aparece com diferença de 25 pontos percentuais em relação a Serra.

O deputado do PSB - que, se depender de Lula, será deslocado para a corrida ao governo de São Paulo- continua em 1º lugar no cenário em que o governador de Minas (Aécio Neves) é o candidato do PSDB no lugar de Serra. Mesmo assim, suas intenções de voto registram oscilação negativa na margem de erro.

Dilma também fica em 2ºlugar nessa lista e Aécio se mantém em 2º. A pesquisa também não é boa para a senadora Marina Silva (PV-AC), incluída em ambos os cenários. Fica em quarto lugar.