Título: PT segue Lula e adota discurso moderado
Autor: Lyra , Paulo de Tarso
Fonte: Valor Econômico, 02/12/2009, Política, p. A6
O PT assumiu um discurso moderado para tratar do esquema de corrupção envolvendo o DEM no Distrito Federal. Dirigentes petistas evitam ataques diretos à oposição e comparações do esquema do "mensalão do DEM" com o que envolveu o governo federal no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar da cautela, o partido avalia que poderá se beneficiar na disputa eleitoral de 2010, com a "perda do discurso ético" pela oposição.
O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), disse que o partido "não é oportunista" e que não vai agir "como o DEM e PSDB" agiram contra o governo Lula em 2005. "Não podemos ter uma postura de abutres", comentou Berzoini ontem. "Não vamos partir para o revanchismo", afirmou. Para o petista, os partidos " precisam aprender" a lidar com serenidade denúncias de casos de corrupção envolvendo seus integrantes.
Recém-eleito para comandar o PT a partir do próximo ano, José Eduardo Dutra explicou que o partido "evitará o linchamento moral" do DEM e dos partidos aliados ao governo de José Roberto Arruda, envolvidos no suposto esquema de distribuição ilícita de recursos. "Passamos por um episódio muito traumático em 2005. Nos comportávamos como se fossemos freiras, mas descobrimos que não éramos", comentou Dutra. "Agora não vamos ficar tripudiando a oposição", disse. "O DEM queria acabar com a nossa raça durante o mensalão, mas não vamos apontar o dedo em riste para o partido neste momento."
A cautela do partido é tamanha que o PT tem evitado falar sobre a possibilidade de o partido assumir o governo do Distrito Federal, caso o governador, José Roberto Arruda, o vice, Paulo Octavio, e o presidente da Câmara Distrital, Leonardo Prudente, - todos do DEM - deixem seus cargos em 2010. O deputado petista cabo Patrício poderia assumir a administração. "Não queremos assumir um governo com um quadro tão complicado", disse Dutra. "Nunca teve nada parecido com o que está acontecendo agora no Distrito Federal. É uma crise muito grave e não vamos reivindicar o governo", disse a líder do governo no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC).
As declarações dos dirigentes petistas seguiram o tom dos comentários feitos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem. Lula evitou comentar as acusações que envolvem o governador Arruda em um esquema de corrupção e disse que as "as imagens não falam por si", em referência aos vídeos em que o governador Arruda, secretários e deputados distritais aparecem negociando recursos ou recebendo montantes em dinheiro. "O que fala por si é todo o processo de apuração, todo o processo de investigação. Quando tiver toda a investigação terminada, a Polícia Federal vai ter que apresentar o resultado final do processo", disse Lula.
O PT, no entanto, aposta no desgaste da oposição, que favoreceria a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na disputa pela Presidência, em 2010. Reservadamente, petistas dizem aguardar os desdobramentos da crise e acompanham a possibilidade de as denúncias envolverem o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, principal quadro do DEM em exercício. "Nesse caso, poderia afetar tanto a disputa em São Paulo, quanto a candidatura nacional, porque poderia respingar respingar em José Serra", disse um petista. (CA)