Título: Patrus só desiste de prévias se Lula pedir
Autor: Felício , César
Fonte: Valor Econômico, 18/01/2010, Política, p. A9
A intervenção pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou do vice-presidente José Alencar poderá ser o caminho mais rápido para evitar as prévias partidárias no PT, segundo o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, que disputa a pré-candidatura ao governo mineiro com o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. "Estarei sempre onde Lula e José Alencar estiverem. A gente vai conversar", disse Patrus.
O ministro perdeu a disputa interna com Pimentel pelo comando estadual do partido no mês passado, mas o resultado evidenciou apenas a divisão petista. A apuração deu uma vitória apertada ao deputado Reginaldo Lopes, pró-Pimentel, e chegou a ser interrompida por alguns dias, em meio à troca de acusações com o dirigente Gleber Naime, apoiado por Patrus.
Logo após o resultado ser divulgado, Patrus inscreveu-se para as prévias. Mas diz que sua defesa da consulta aos filiados para a escolha do candidato não é incondicional. "Só vou disputar prévias com uma pactuação que garanta regras claras para o processo, o respeito ao resultado, transparência na apuração e mecanismos seguros de votação, como a urna eletrônica. As prévias são mais amplas que a eleição direta para a direção partidária e pressupõem métodos diferentes. Se não, não farão sentido", disse.
Para Patrus, contudo, o argumento de que a divisão de prévias pode deixar sequelas no processo eleitoral é falacioso. "Um processo bem pactuado leva o perdedor a apoiar o vencedor mesmo que a diferença tenha sido de um único voto. Não concordo com o sentimento anti-prévias que começa a crescer, porque a nossa tradição de consulta é muito boa", disse.
O PT mineiro hoje é o único, entre os diretórios estaduais mais importantes, que tende a definir o seu rumo partidário em 2010 por meio de prévias. No Rio, há uma tendência clara em apoiar a reeleição do governador pemedebista Sérgio Cabral Filho. Em São Paulo, o partido é controlado pelos aliados da ex-ministra do Turismo Marta Suplicy e aguarda a definição do deputado Ciro Gomes (PSB-CE). No Rio Grande do Sul, há consenso em torno do ministro da Justiça, Tarso Genro. E na Bahia, o petista Jaques Wagner disputará a reeleição.
Patrus é evasivo em comentar se a divisão pode levar o partido a deixar de ter candidatura própria e apoiar o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), como solução intermediária. "Sou um ator na arena política e trabalho para viabilizar minha candidatura dentro do PT, buscando a interlocução com os aliados. Não sou um analista de cenários", disse.
O ministro ficou em segundo lugar na pesquisa Datafolha realizada em dezembro, com 12% das intenções de voto. Pimentel conseguia 19%, no cenário em que era incluído como o candidato do PT. Mas o ministro demonstra confiança no potencial de transferência de votos que seu trabalho no ministério pode ter. Lembra que apenas em 2009 seu ministério - responsável pela operacionalização do programa Bolsa Família - transferiu R$ 3,2 bilhões para 1,1 milhão de famílias no Estado.
"Trabalhamos o tempo todo em parceria com as prefeituras. Isto pode promover uma guinada na política mineira", afirmou. O ministro também procura destacar o fato de seu nome não ter sido associado a escândalos ou denúncias. "Fui eleito deputado federal em 2002 com 520 mil votos sem pagar sequer uma rodada de cerveja. Comando sem denúncias um ministério há seis anos, com 1,4 mil funcionários e R$ 39 bilhões de orçamento para administrar", afirmou.