Título: Gestão americana do aeroporto é criticada
Autor: Forelle , Charles
Fonte: Valor Econômico, 18/01/2010, Internacional, p. A11

Falta de combustível, comunicação ruim e um congestionamento no aeroporto de Porto Príncipe continuaram ontem a dificultar o enorme esforço internacional de ajuda ao Haiti, cinco dias depois do terremoto de deixou dezenas de milhares de mortos.

A Ocha, agência humanitária das Nações Unidas, alertou que pode ser obrigada a suspender suas operações nos próximos dias se não for retomada a distribuição de combustível.

No momento em que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chegou ao Haiti para ver de perto a extensão do desastre, cresce a preocupação com os atrasos nas operações no aeroporto da capital, que está sob controle dos EUA.

Alain Joyandet, ministro francês da Cooperação, disse que seu país encaminhou um protesto formal ao embaixador americano em Paris sobre a gestão que os militares americanos estão fazendo do aeroporto, depois que um voo com ajuda médica francesa teve o pouso rejeitado.

O governo francês buscou em seguida minimizar a crise diplomática dizendo que a cooperação franco-americana estava procedendo do melhor modo possível em vista da extensão do desastre. O Haiti é uma ex-colônia francesa.

O protesto de Joyandet ressalta uma frustração crescente das equipes de resgate e socorro, que dependem da única pista em operação no aeroporto para receber suprimentos. O porto da capital haitiano está inoperável. A outra alternativa é entrar por terra, via República Dominicana, mas isso exige 24 horas a mais de viagem.

A agência de notícias AFP também citou pessoas que tentavam deixar o Haiti e que reclamavam que os EUA estavam dando prioridade aos seus cidadãos. Militares dos EUA restabeleceram as operações no aeroporto depois que a torre de controle foi danificada pelo terremoto.

Empresas de telecomunicações e especialistas enviados por vários países continuam tentando restabelecer a comunicação telefônica no Haiti. Quatro voos, porém, que traziam equipamentos e técnicos foram desviados, enquanto foram autorizados a pousar na capital haitiana aviões com autoridades americanas.