Título: Meirelles decide até março candidatura em Goiás
Autor: Ulhôa , Raquel
Fonte: Valor Econômico, 19/01/2010, Política, p. A8
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, pediu ao prefeito de Goiânia, Iris Rezende, prazo até março para decidir se será ou não candidato a governador de Goiás pelo PMDB. O prefeito afirmou que os diretórios municipais do partido pressionam pela definição da candidatura e cobrou pressa de Meirelles. Mas o impasse persiste.
A conversa aconteceu no domingo, no apartamento de Iris, em Goiânia. O presidente do BC demonstrou ainda estar na expectativa de ser a opção do PMDB para a vaga de candidato a vice-presidente na chapa da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), embora o preferido da cúpula do seu partido ainda seja o presidente nacional da sigla licenciado, Michel Temer (SP), presidente da Câmara.
Meirelles disse a Iris que o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a ele que não tomasse qualquer decisão agora sobre Goiás. Disse que o presidente considera "precipitado" anunciar uma posição antes de março, já que, até lá, podem surgir fatos novos que influenciem na escolha do vice pelo PMDB.
A opção de compor a chapa de Dilma é a que mais empolga Meirelles, mas ele não quer, ainda, descartar a opção pelo governo do Estado. Acha que isso daria a impressão de estar apostando em um projeto nacional, o que poderia deixá-lo exposto a críticas e aumentar a resistência a seu nome.
Meirelles filiou-se ao PMDB pouco antes do encerramento do prazo exigido pela legislação eleitoral para os candidatos em 2010. O ato foi interpretado pelas lideranças políticas de Goiás como decisão de concorrer a governador contra o senador Marconi Perillo (PSDB), ex-governador e seu ex-aliado político.
Em visita ao Estado, o presidente Lula defendeu ampla aliança de partidos aliados em torno de uma eventual candidatura do presidente do BC, que não poderia ser candidato para perder eleição. Iris, maior liderança do PMDB de Goiás, tem declarado que o candidato a governador do partido será ele ou Meirelles. Afirma, ainda, ter dado ao presidente do BC a prerrogativa da escolha.
O prefeito, de 76 anos de idade, também ex-governador, nega os rumores de que teria desistido de concorrer contra Perillo - por quem foi derrotado em 1998. Mas mostra-se disposto a abrir mão da candidatura por Meirelles. Na conversa de domingo, Iris relatou ao presidente do BC que os diretórios municipais pemedebistas cobram uma definição rápida. Querem dar largada às conversas, reuniões e acordos políticos. Mesmo assim, o interlocutor reiterou o pedido de mais prazo para decidir.
Segundo um assessor direto de Lula, o risco de não ser o escolhido pelo PMDB pode levar Meirelles a optar por ficar na presidência do BC até 31 de dezembro. A princípio, ele tem que se desincompatibilizar até março, mas o PMDB só tomará uma decisão sobre a chapa de Dilma em maio ou junho. Meirelles corre o risco, portanto, de sair do BC e não ser indicado para compor chapa com Dilma.
Ao mesmo tempo em que cobra uma decisão de Meirelles, Iris tem feito articulações para uma eventual candidatura sua a governador. Tem conversado com o vice-prefeito, Paulo Garcia (PT), sobre a possibilidade de assumir o cargo. Uma preocupação do PMDB é que, uma vez no comando de Goiânia, o PT decida lançar candidato próprio ao governo, em aliança com o governador Alcides Rodrigues (PP), ex-aliado de Perillo que ameaça apoiar uma terceira via.