Título: Impasse petista revitaliza Hélio Costa
Autor: Felício , César
Fonte: Valor Econômico, 11/12/2009, Política, p. A14

O impasse na escolha da nova direção estadual do PT revitalizou os aliados do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), que disputam o comando estadual do PMDB contra uma aliança cujo integrante mais conhecido é o ex-governador Newton Cardoso. Neste domingo, cerca de 1,1 mil delegados do partido - escolhidos nas eleições internas municipais de outubro, mas cuja análise de recursos só será encerrada hoje - irão escolher entre o deputado federal Antonio Andrade, ligado a Costa, e o deputado estadual Adalclever Lopes, apoiado por Newton.

A vitória de Andrade daria a Costa carta branca para negociar com a cúpula de seu partido e com o PT uma aliança para o próximo ano. Hélio Costa lidera as pesquisas de opinião para governador, mas descarta concorrer em 2010 sem o apoio do PT. Até a semana passada esta era uma possibilidade remota, dado que o PT estadual conta com duas pré-candidaturas ao governo, a do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel.

A eleição interna petista, contudo, ameaça tornar-se um escândalo partidário, com acusações mútuas de fraude e coação aos militantes. A apuração do segundo turno entre o deputado federal Reginaldo Lopes, aliado de Pimentel, e do secretário nacional de comunicação do partido, Gleber Naime, está paralisada desde terça-feira e mostrava uma tendência de reeleição de Reginaldo. Durante a tarde e a noite de ontem, representantes da Executiva Nacional fizeram reuniões separadas para tentar um acordo que possibilite a retomada da apuração.

Com a completa divisão do novo diretório estadual petista, tornou-se possível um cenário em que o apoio a Hélio Costa, em nome da aliança nacional entre PT e PMDB, seria aceito como solução intermediária pelas duas alas petistas. A alternativa já é comentada em reserva por aliados de Patrus. Segundo comentou um parlamentar ligado ao ministro, a divisão total do partido ressuscita a tese de apoio a Hélio Costa.

Seria um processo semelhante ao que pode também ocorrer em São Paulo: na ausência de um candidato petista inequívoco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediria que o partido abrisse mão da candidatura própria em favor de um aliado. Em São Paulo, a alternativa discutida é o deputado Ciro Gomes (PSB-SP). Entre os apoiadores de Pimentel, o temor em relação a esta hipótese já é manifesto: " Tudo isso abala a candidatura própria. É péssimo. Os tucanos devem estar felizes " , lamentou o deputado estadual Durval Ângelo.

Para isso, Hélio Costa precisaria de uma vitória clara na eleição de domingo. " Ele tem que ganhar bem, com mais de 60% dos votos, para mostrar que o partido está com ele " , afirmou Itamar Oliveira, primeiro-secretário do PMDB estadual e aliado de Andrade. Costa tem a seu lado três deputados estaduais, o prefeito de Uberaba, Anderson Adauto, o de Montes Claros, Luiz Tadeu Leite, e o candidato derrotado do PMDB em Belo Horizonte Leonardo Quintão. É um grupo que mescla políticos de ingresso recente no PMDB com outros que começam a ascender no partido. O próprio ministro não é um pemedebista histórico: voltou ao partido nos anos 90, depois de duas mal sucedidas candidaturas ao governo estadual pelo extinto PP - homônimo do partido atual.

Com Adalclever Lopes estão pemedebistas " históricos " , como Newton, o ex-prefeito de Juiz de Fora Tarcísio Delgado, e os ex-deputados Ronaldo Perim e Armando Costa. Político e empresário que multiplicou sua fortuna em paralelo à vida pública, Newton Cardoso fez um governo impopular e perdeu substância eleitoral após deixar o governo, em 1990, em meio a várias acusações de irregularidades. Dentro do PMDB, contudo, nunca foi derrotado. Optou por acordos, ao perceber que não detinha a hegemonia, como fez quando concordou em ser vice de Itamar em 1998.

Os apoiadores de Adalclever são céticos em relação ao sucesso de uma candidatura de Hélio Costa e preferem negociar uma aliança com o PT desde já. Estão dispostos a compor tanto com Fernando Pimentel quanto com Patrus Ananias, conforme o próprio Adalclever deixou claro ao cumprimentar o candidato apoiado pelo ministro à presidência estadual petista, Gleber Naime, pela ida ao segundo turno. Até então, Adalclever sempre era visto como um aliado tático da ala de Pimentel no PT.