Título: Lindberg insiste com candidatura
Autor: Paulo de Tarso Lyra
Fonte: Valor Econômico, 15/12/2009, Política, p. A6
O prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), disse ao que a derrota do candidato que apoiou à presidência do PT fluminense, Lourival Casulo Filho, diminuiu suas chances de ser o candidato do partido ao governo do Estado. Lindberg estará nesta semana em Brasília para uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula quer que o PT apoie Sérgio Cabral Filho (PMDB) à reeleição. Lindberg sabe que é muito difícil dizer não a um presidente com 83% de aprovação, mas vai argumentar que, se o PT não tiver candidato próprio ao governo estadual, o senador Marcelo Crivella (PRB), mesmo partido do vice presidente José Alencar, não terá como concorrer à reeleição ao Senado.
Esse é o principal argumento que o prefeito levará para tentar sensibilizar o presidente Lula. Crivella quer tentar à reeleição ao Senado. Na chapa majoritária de Cabral só há uma vaga em aberto para senador, justamente à espera do PT, caso haja uma composição política entre petistas e pemedebistas estaduais. A outra vaga está reservada ao secretário de Habitação do Rio, Leonardo Picciani (PMDB). "O presidente terá que encontrar uma alternativa para o Crivella", afirmou Lindberg.
O prefeito de Nova Iguaçu negociou durante os últimos meses uma ampla aliança que incluía parte do PT, o PDT e o PRB. Apostava na vitória de seu aliado na eleição do diretório estadual. "Precisamos fazer uma reavaliação de nosso cenário, a derrota foi muito dura. Se nós tivéssemos ganho, a candidatura seria uma consequência natural", prosseguiu Lindberg.
Lindberg acha que não vai convencer o presidente a apoiá-lo. Quer apenas que o Planalto não interfira na disputa. Para Lindberg, se isso acontecer, será mais fácil consolidar sua candidatura. O receio é que o Planalto insista em pressionar pela aliança com o PMDB de Cabral e tire dele até o apoio que contabiliza entre correligionários petistas. "Não é qualquer um que consegue dizer não ao presidente. Ele vem com aquele jeito habilidoso e acaba te convencendo a mudar de ideia", admitiu.
Lindberg é um exemplo dessa habilidade política de Lula: durante a reforma da Previdência, em 2003, esteve para sair do PT e filiar-se ao P-SOL. Lula chamou-o para uma conversa no Planalto, pediu para que o então deputado federal ficasse na legenda para fortalecer o PT no Rio. No ano seguinte, Lula incentivou a candidatura de Lindberg à Prefeitura de Nova Iguaçu - em 2008, ele foi reeleito para mais quatro anos.
Se Lindberg reconhece que dizer não ao presidente é tarefa árdua, também admite que a imparcialidade do Planalto nessa questão é quase utopia. Petistas fluminenses relatam ligações de ministros políticos pedindo votos a favor do candidato vitorioso ao diretório do Rio, Luiz Sérgio. Deputado federal, Luiz Sérgio é favorável à aliança com Sérgio Cabral Filho. Até o governador do Rio participou da ofensiva, ligando para secretários petistas de municípios da Região dos Lagos pedindo apoio ao candidato da tendência Construindo um Novo Brasil.
Lindberg está certo que, se for de fato candidato, tem condições de chegar ao segundo turno. As recentes pesquisas mostram o governador Sérgio Cabral com pouco mais de 30% das intenções de voto, o ex-governador Anthony Garotinho com 20% das intenções e ele com pouco mais de 10%. "Mas eu disputo o voto da classe média com Garotinho e tenho um nível de desconhecimento junto à população muito grande", acrescentou.
Ele também quer mostrar ao presidente que dois palanques nacionais no Rio para a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, não significam um abalo considerável na aliança nacional do PT com o PMDB. "Cabral não é ligado à direção nacional do PMDB, ele é da cota pessoal do presidente. Em vários Estados haverá dois palanques para a Dilma, por que não no Rio?" questionou.
Além de fortalecer a aliança com o PMDB de Cabral, a eleição de Luiz Sérgio também aumentou o poder de Benedita Silva no PT. Secretária de Assuntos Sociais e Direitos Humanos do Governo do Estado do Rio, Benedita Silva é pré-candidata do partido ao Senado. A única representante do PT no governo Cabral minimiza os efeitos da eleição para o diretório estadual. "Não será ela que vai definir os nossos candidatos. Essa decisão será tomada no Congresso Nacional do PT em fevereiro de 2010", afirmou Benedita.