Título: Empresas recontratam nos Estados do Sul
Autor: Villaverde , João
Fonte: Valor Econômico, 19/02/2010, Brasil, p. A4

O ano começou com forte recuperação do emprego industrial em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. No ano passado, a indústria catarinense criou apenas 2,3 mil novos empregos no ano, enquanto a gaúcha cortou 1,7 mil empregos. Em janeiro, o saldo de novos empregos industriais superou a média nacional - alta de 1,05% e 1,2%, respectivamente - e na soma dos dois Estados, 14 mil operários recuperaram o emprego.

O setor metal-mecânico foi o maior responsável pela recuperação do emprego industrial em Santa Catarina. No Norte catarinense, as empresas sobrecarregaram as agências de seleção de recursos humanos atrás de candidatos. A RH Brasil, com escritório em Joinville, fez cerca de 850 contratações em janeiro, grande parte para vagas operacionais na indústria. Para dar conta, a empresa trabalha com horário estendido e tem feito plantão constante nos fins de semana. No Carnaval, as portas permaneceram abertas e foram atendidas cerca de 400 pessoas.

Em Jaraguá do Sul, a multinacional Weg mantém 600 vagas em aberto, apesar de ter contratado 662 profissionais desde que o ano começou. Com uma média de 90 contratações por semana, a fabricante de motores elétricos já encontra dificuldades para preencher as vagas nas unidades de Jaraguá e Guaramirim. São cerca de 15 mil trabalhadores na região. Em todo o mundo, a Weg tem cerca de 22 mil funcionários diretos.

O Sindicato Patronal das Indústrias Mecânicas de Joinville e Região (Sindimec) atesta a recuperação nos níveis de emprego no setor. "Há procura de mão de obra no mercado. As empresas estão fazendo uma recontratação", diz Adejalmas Ghighi, diretor-financeiro do Sindimec. De acordo com ele, a retomada reflete a recuperação da economia no Brasil e no exterior, embora haja cautela por parte das indústrias para que não se forme uma bolha de aquecimento econômico.

A fundição Tupy também está ampliando o quadro de funcionários na unidade de Joinville. Em janeiro, foram 162 contratados e até o fim de fevereiro, outros 198 trabalhadores devem assinar contrato com a empresa. A fabricante de blocos de motores sentiu os efeitos da crise internacional na exportação. Desde outubro de 2009, com a retomada da demanda externa, as vendas para o exterior começaram a se recuperar. Em janeiro, a Tupy exportou US$ 20,1 milhões a partir de Santa Catarina, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O resultado foi 107% superior ao mês de janeiro de 2010. Cerca de 80% das contratações são direcionadas para as unidades que produzem blocos de motor, o principal produto de exportação da empresa.

No Rio Grande do Sul, os segmentos industriais com maior geração de empregos formais em janeiro foram o calçadista e o metal-mecânico, beneficiados principalmente pelo crescimento da demanda interna. No caso das fábricas de calçados, o mês passado encerrou com aumento líquido de 2,7 mil vagas. Já as indústrias metalúrgicas e mecânicas gaúchas, que juntas haviam fechado quase 3,1 mil postos no acumulado de 2009, tiveram agora um resultado positivo no mês de quase 2,1 mil empregos entre contratações e demissões.

No início de fevereiro, o diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, disse que a recuperação do nível de emprego no setor deve-se em grande parte à tarifa antidumping de US$ 12,47 por par de calçado importado da China, implantada em setembro do ano passado. Segundo a entidade, os produtos asiáticos estavam tomando espaço das empresas nacionais, mas a situação mudou depois da adoção da sobretaxa.

No acumulado de 12 meses até janeiro, as calçadistas gaúchas ainda ostentam um saldo negativo de quase 2,2 mil empregos, mas o número representa a metade das 4,3 mil vagas fechadas ao longo de 2009. E, segundo os empresários do setor, a tendência é de mais contratações nos próximos meses. A Dalponte, de calçados esportivos já anunciou que vai empregar 400 pessoas de fevereiro a junho devido à reativação da fábrica de Veranópolis, paralisada desde o início do ano passado.

Para as empresas metal-mecânicas, principalmente no segmento de bens de capital, o grande impulso para a retomada do emprego veio com a linha Finame PSI, do BNDES, com juros de 4,5% e 7% ao ano, fixos, para o financiamento de máquinas, equipamentos e veículos. Lançado no segundo semestre de 2009, o programa venceria em dezembro e antes de ser prorrogado para junho deste ano levou à antecipação de encomendas no setor, explicou o diretor da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) no Rio Grande do Sul, Mathias Elter.

"O PSI tirou o segmento da inércia", afirmou o empresário. Segundo ele, o nível de emprego nos fabricantes de bens de capital no Estado chegou ao "fundo do poço" de janeiro a maio do ano passado e começou a melhorar a partir de então. Agora, além da linha especial do Finame, as indústrias contam com o crescimento mais acelerado da economia brasileira para sustentar a geração de postos de trabalho nos próximos meses, comentou Elter.