Título: Nova diretoria do BC começa a ser formada
Autor: Safatle , Claudia
Fonte: Valor Econômico, 27/02/2010, Finanças, p. C2
Começou a se formar a diretoria do Banco Central que conduzirá a instituição no último ano do governo Lula. Tomou posse, na sexta-feira, o novo diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo. Ele assumiu a vaga deixada por Celina Berardinelli Arraes, uma das duas únicas mulheres que dirigiram o BC (a outra foi Teresa Grossi, que comandou a área de Fiscalização no governo FHC).
Hamilton poderá, também, substituir Mário Mesquita na diretoria de Política Econômica do banco. A intenção de Mesquita, que está no BC desde março de 2007, é concluir sua participação no governo com a apresentação do Relatório de Inflação do primeiro trimestre deste ano, que será divulgado no fim de março.
Desde a saída de Mário Torós da diretoria de Política Monetária, em novembro de 2009, que Mesquita havia acertado com o presidente do BC, Henrique Meirelles, que deixaria a instituição em março deste ano, quando o próprio Meirelles deve se desincompatibilizar do posto para assumir uma carreira política.
Alexandre Tombini, diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro do Banco Central desde abril de 2006, deverá ser o próximo presidente do BC. Confirmado seu nome como sucessor de Meirelles, Tombini convidará a permanecer o cargo Gustavo do Vale, desde maio de 2003 diretor de Liquidações e Controle de Operações do Crédito Rural. Gustavo pensava em se aposentar no ano passado, mas foi convencido a permanecer por mais algum tempo no banco.
Carlos Hamilton, provável sucessor de Mesquita, funcionário de carreira do BC, era, até agora, chefe do Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep), o segundo na hierarquia da Diretoria de Política Econômica e, portanto, muito próximo a Mesquita. Ele é quem prepara e apresenta os modelos do regime de metas para a inflação ao Comitê de Política Monetária (Copom) e o único chefe de departamento que participa dos dois dias de reunião do comitê.
Todas as mudanças dependem, é claro, da decisão final de Meirelles - se tentará uma candidatura ao Senado por Goiás ou à vice-presidência da República, na chapa da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ou, ainda, se permanecerá no cargo até dezembro.
Meirelles deixando o BC, a instituição será comandada, pela primeira vez na história, apenas por funcionários de carreira do BC e do Banco do Brasil, onde trabalhou o atual diretor de Política Monetária, Aldo Luiz Mendes.