Título: CSN promete planos ousados e levar cinco ativos à bolsa
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 10/03/2010, Empresas, p. B10

Nem parece que BenjaminSteinbruch, principal acionista, presidente do conselho e da diretoriaexecutiva da Cia. Siderúrgica Nacional (CSN), tomouum tranco quinze dias atrás, ao perder mais uma grande chance deinternacionalizar sua empresa, como vem prometendo ao mercado há váriosanos. A perda da cimenteira portuguesa Cimpor,ativo pelo qual ofereceu quase US$ 6 bilhões, para ele já é uma páginavirada. Ontem, em reunião com analistas de bancos em São Paulo, oempresário, corroborado por seus principais executivos, garantiu quevai entregar uma companhia com o dobro do tamanho em três anos e abriro capital das suas cinco unidades de negócio - aço, mineração de ferro,cimento, logística e cimento. "A hora é agora", afirmou, referindo-se àmaré favorável do mercado para oferecer na bolsa de valores ativos queserão transformados em novas empresas.

Steinbruchjustifica isso usando um antigo lema seu, de que "a soma das partesserá maior do que o todo". Para ele, da forma como está até agora, omercado não enxerga o valor justo para a companhia. Por exemplo: eleconsidera natural que somente o ativo de minério de ferro, agregado porferrovia e porto, valha em torno de US$ 20 bilhões. A CSN inteira, comenergia, cimento, ferrovias, aço e minério de ferro, é avaliadaatualmente em US$ 26 bilhões.

Deconcreto mesmo, a CSN parece ter para realizar neste ano a ofertapública de ações (IPO, na sigla em inglês) da mina Casa de Pedra,também prometida há alguns anos. Para isso, pelo menos um importantepasso foi dado: a cisão desse ativo da empresa-mãe, assim como as áreasde logística e portuária. Esse processo deve ficar pronto até o fimdeste mês, como garantiu o diretor financeiro da companhia, PauloPenido Marques.

Na visão do analista Pedro Galdi, da SLW Corretora,Steinbruch deixou claro que a CSN voltou sua mira a novos negócios e"deixou um pouco de lado" a siderurgia. "O foco está em cimento eminério. Mas o interessante é que essas três áreas têm grandesinergia", ponderou. O plano do empresário é formatar uma mineradoraúnica com capacidade para fazer 84 milhões de toneladas por ano. Paraisso, negocia a fusão de Casa de Pedra com a controlada Namisa,da qual tem 60% do capital e seus sócios - usinas de aço do Japão eCoreia -, os 40% restantes. "Eles têm a preferência; por isso, lhesdemos um prazo para decidir". De qualquer forma, com os parceirosasiáticos ou sem eles, a ideia é ir à bolsa até o fim de junho.

Master parceiros estratégicos é considerado fundamental para o empresário.Ele observa que, com isso, assegura-se mercado para o minério, além deexpertise em tecnologia e entrada de capital para os investimentos, quesão pesados. A ideia é que esse sócios tenham em torno de 20% e nabolsa sejam oferecidas de 20% a 25% das ações. O controle ficará com aCSN, naturalmente.

Oplano de Steinbruch, que prevê investimentos na CSN de R$ 3 bilhões aoano de agora até 2014, não para por aí. "Estamos nos estruturando parater uma empresa de 150 milhões de toneladas de minério de ferro",afirmou. "Não se surpreendam se ocorrerem algumas operações de compraou de fusões de ativos na região", disse, lembrando que há dois anoshavia muita dúvida por parte do mercado sobre seus planos nesse negócioe que hoje a CSN já é a segunda maior exportadora do país, atrás daVale, e já está pronta para vender 40 milhões de toneladas este ano.

Comprevisão de déficit na oferta mundial de minério no mundo este ano eaperto nos próximos, com crescente demanda da China e aumento daprodução de aço em outros países da Ásia, Europa e Américas, os preçosdo produto para este ano podem ter alta na casa de 90% ou mais. Comisso, o preço de referência médio do ano passado, em torno de US$ 55 atonelada, poderá ficar próximo do praticado no mercado à vista, quegira em torno de US$ 115 a tonelada, valor FOB porto Brasil. "Asmineradoras estão buscando uma correção do preço", afirmou JaimeNicolatto, diretor de mineração da CSN.

Galdiobservou que o minério de ferro vem ganhando mais proporção no negóciodas siderúrgicas, uma vez que a tendência natural da commodity é dealta. "As empresas querem se garantir e vão investir mais nisso",afirmou. Mas o caso da CSN parece ir além disso. Steinbruch, que foidono da Vale por alguns anos, enxergou nessa área um negócio que hojeganha muito mais atenção - e tem margem bem superior - que o aço dentroda companhia, apesar de este ainda responder por 72% da receita daempresa.

Na outravertente, Steinbruch informou ontem que pretende investir cerca de US$800 milhões nos próximos três anos no Brasil para ter um presença forteno mercado de cimento. Esse plano prevê a duplicação da atual fábricade Volta Redonda (RJ), que entrou em operação no ano passado, e aconstrução de três novas - no Nordeste, no Centro-Oeste e no Sul, cadauma com capacidade de 1 milhão de toneladas de produção. "Com isso,vamos ter capacidade além de 6 milhões de toneladas a partir de 2013,mais do que a Cimpor faz hoje no Brasil", afirmou o empresário. "Avantagem da compra é que o crescimento seria imediato, mas em valor,vamos gastar menos nas novas fábricas - US$ 150 a US$ 200 portonelada".