Título: Carne suína catarinense mais perto do mercado americano
Autor: Ribeiro , Alex
Fonte: Valor Econômico, 11/03/2010, Agronegócios, p. B16
Ogoverno americano sinalizou a autoridades brasileiras que poderá abriro mercado para as exportações brasileiras de carne suína de SantaCatarina, Estado reconhecido como área livre de febre aftosa semvacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, na sigla eminglês).
Paraexportar, o Brasil precisa receber o sinal verde do Departamento deAgricultura dos Estados Unidos (USDA). O subsecretário para assuntos deregulação da USDA, Edward Avalos, disse a uma comitiva brasileira nestasemana que, dentro de dois meses, a autorização para a exportação dacarne brasileira deverá ser divulgada para consulta pública. Se tudocorrer bem, a aprovação definitiva sai entre o fim deste ano e iníciodo próximo.
Asduas análises feitas pelo governo americano foram favoráveis ao pedidobrasileiro. Do ponto de vista econômico, o governo americano não seopõe à importação do produto, já que o setor de carne suína local ébastante forte e não receia a competição dos brasileiros. A outraanálise, que levou em conta aspectos sanitários, também foi positiva.
"Osubsecretário disse que os Estados Unidos veem o comércio exterior comouma via de mão dupla", disse uma fonte que acompanhou as reuniões."Eles querem ampliar exportações, mas, de outro lado, também queremimportar mais."
Osetor de carne suína brasileiro, por outro lado, também não tem aexpectativa de exportar grandes volumes para os EUA, onde aconcorrência dos produtores locais é forte. Os prognósticos são de quea carne brasileira assuma uma fatia pequena do mercado. Mas a aprovaçãopelo rigoroso USDA deverá derrubar barreiras sanitárias em outrospaíses e abrir novos mercados consumidores.
Acomitiva que se reuniu com Avalos foi formada pelo governador de SantaCatarina, Luiz Henrique, e dois secretários do Ministério daAgricultura: Célio Porto (relações internacionais do agronegócio) eInácio Kroetz (defesa animal). Ontem e hoje os dois representantes doministério já estavam no Canadá, tratando também do reconhecimentosanitário da carne suína.
Oprocesso de autorização para a carne brasileira já se arrasta por dezanos, e pelo menos há um ano se aguarda a abertura da consulta pública.O que há de realmente novo é a declaração clara de Avalos de que ogoverno Obama é favorável ao pleito brasileiro, além de uma indicaçãodo cronograma mais concreto para a análise da proposta.
Atualmente,a autorização para importação de carne suína brasileira está sendosubmetida à análise jurídica do USDA, último passo antes de ela seraberta para consulta pública. Eventuais interessados poderão opinarpelo prazo de cerca de 60 dias e, em seguida, o USDA analisará assugestões, num trabalho que deve levar entre 60 e 90 dias.
Pedrode Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da IndústriaProdutora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), disse que esperavaque a autorização para Santa Catarina exportar carne suína aos EUAentrasse em consulta pública "imediatamente". Segundo ele, em dezembrode 2008, o então embaixador americano Clifford Sobel, disse-lhe que aconsulta ocorreria ainda em março de 2009, ou seja, há um ano.
Segundodados coletados pelo Ministério da Agricultura, em 2008 os EUAimportaram 238 mil toneladas de carne suína do Canadá e da Dinamarca,num valor total de US$ 761 milhões. No primeiro bimestre deste ano, oBrasil exportou 75,4 mil toneladas de carne suína, segundo a Abipecs.Os mercados mais importantes para as exportações brasileiras no períodoforam a Rússia (44% das vendas), Hong Kong (27,4%), Ucrânia (6.6%) eArgentina (6,1%). (Colaborou AAR, de São Paulo)