Título: Hélio Costa diz que pode disputar governo sem o PT
Autor: Felício, César
Fonte: Valor Econômico, 20/01/2010, Política, p. A7
O ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), afirmou que existe a possibilidade de que ele saia do ministério para concorrer ao governo mineiro, mesmo sem o apoio do PT. Os petistas em Minas Gerais estão divididos entre as candidaturas do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. O pemedebista lidera as pesquisas de opinião, ainda que tenha mostrado declínio nas últimas sondagens. Costa está nos Estados Unidos e concedeu entrevista por escrito.
"O candidato ao governo deve ser o que melhor representar o grupo de apoio ao governo Lula e tiver as melhores chances de vitória. A única exigência que fazemos é que não haja exigências. Mas, que ninguém se iluda: se a decisão não for democrática e republicana, o PMDB de Minas terá candidato. Nosso vice poderá vir do PR, do PP, do PCdoB ou do PDT", afirmou. Até agora, o ministro insistia na aliança com o PT.
Dos partidos citados por Costa, o PR em Minas é controlado pelo ex-vice-governador Clésio Andrade, que fez chapa com o governador Aécio Neves (PSDB) em 2002. O PP tem como liderança mais influente o prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão, um aecista de primeira hora. Outro pepista, o presidente da Assembleia Legislativa, Alberto Pinto Coelho, disputa o lugar de vice na chapa encabeçada pelo vice-governador Antonio Junho Anastasia (PSDB), apoiado por Aécio. O PDT também participa do governo mineiro. Já o PCdoB, liderado em Minas pela deputada federal Jô Moraes, negocia aliança com o PT.
O próprio Costa, contudo, coloca a candidatura sem aliança com o PT como a última escolha, dado o complicador que representaria a falta de identificação clara com um candidato presidencial. A candidatura de Costa com uma coligação deste formato o tiraria da posição de candidatura alternativa a do PT dentro da base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que irá apoiar a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). "Em Minas Gerais, o PMDB não trabalha com a hipótese de dois palanques. Eu já vivi a experiência antes e sei que não funciona. Nas eleições majoritárias em Minas ainda vivemos um pouco a tradição do PSD e da UDN. Não há espaço para um candidato subir em dois palanques diferentes. A aliança em 2010 tem de ser feita no primeiro turno. O segundo turno é para adesão", disse.
Em 1994, Costa foi candidato a governador pelo PP - partido homônimo ao atual, mas extinto no ano seguinte - contra o tucano Eduardo Azeredo. Ambos apoiavam o governo de Itamar Franco e a candidatura de Fernando Henrique Cardoso à Presidência. Depois de ficar em primeiro lugar no primeiro turno, Costa perdeu a eleição de forma surpreendente.
A aposta do ministro é que o presidente Lula terminará por interferir no quadro mineiro para forçar o PT a apoiá-lo ou patrocinar um acordo em que ele tenha espaço na eleição majoritária. "O presidente Lula tem um compromisso com o PMDB de ajudar a encontrar soluções nos Estados. Minas terá um papel fundamental na eleição do próximo presidente. Considero São Paulo sem esperança de vitória do candidato governista. O Rio de Janeiro é imprevisível historicamente. A base da vitória tem de vir de Minas, segundo colégio eleitoral do país, e dos Estados do Norte e Nordeste", disse Costa.
A melhora de saúde do vice-presidente José Alencar (PRB), que trata de um câncer no abdômen, colocou-o como candidato ao Senado, eleição que também deverá ser disputada pelo governador Aécio Neves. Ainda assim, Hélio Costa afirma que a existência de dois candidatos fortes para as duas vagas não necessariamente o desanimaria para disputar uma eventual reeleição. O ministro é senador licenciado.
"Há espaço para uma terceira candidatura forte ao Senado. As pesquisas dizem isto. Em Minas, ninguém pode dizer que uma eleição majoritária está ganha um anos antes do pleito. Estão esquecendo que Itamar Franco é um candidato forte e que o PMDB também pode ter um nome de peso para o Senado. Muito coisa ainda pode acontecer. Não podemos esquecer que, em Minas, a política é como uma nuvem. A cada observação está diferente", afirmou Costa, referindo-se ao ex-presidente Itamar Franco, filiado ao PPS e apoiador de Aécio.
Nas últimas semanas, o nome de Hélio Costa foi lembrado como possível vice na chapa presidencial de Dilma, como forma da base governista capitalizar uma possível frustração do eleitorado mineiro com o insucesso de Aécio em viabilizar sua candidatura presidencial pelo PSDB e como solução para o impasse entre o PT e o PMDB. A hipótese foi vista com simpatia por aliados de Costa, mas de público o ministro nega a possibilidade.
"O PMDB já tem acertada a posição de vice na chapa da ministra Dilma Rousseff. Este candidato deverá ser escolhido pelo PMDB com a concordância do PT, do presidente Lula, da ministra Dilma e dos demais partidos que comporão a grande aliança. Com ou sem a presença de um mineiro na chapa tucana a posição do PMDB sobre a candidatura a vice é a mesma. O deputado Michel Temer é o nome que o PMDB vai apresentar com o apoio de todos nós. E o Henrique Meirelles também é um nome que precisa ser considerado", afirmou, referindo-se ao presidente da Câmara e deputado federal por São Paulo e ao presidente do Banco Central.