Título: Arruda manobra para manter controle no DF
Autor: Agostine , Cristiane
Fonte: Valor Econômico, 26/01/2010, Política, p. A5

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), continua com controle sobre os pedidos de investigação e impeachment contra ele no Legislativo local. Ontem, seu aliado, o presidente da Câmara Distrital, Leonardo Prudente (sem partido), renunciou ao cargo - do qual estava afastado por decisão judicial - para forçar a saída da oposição do comando da Casa. Arruda articula a eleição de um deputado próximo a ele à presidência da Câmara Distrital.

Prudente estava fora do comando do Legislativo local desde a semana passada, por decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que o impediu de participar do processo de investigação e julgamento do governador e de deputados distritais, incluindo ele próprio. Eles são acusados de participar de um suposto esquema de propina, identificado pela Polícia Federal na Operação Caixa de Pandora. Prudente, ex-integrante do DEM, assim como Arruda, aparece em um vídeo guardando dinheiro do suposto esquema na meia. Em seu lugar assumiu o deputado Cabo Patrício (PT), da oposição.

Arruda tem amplo controle no Legislativo local. Dos 24 parlamentares, apenas cinco são da oposição: quatro petistas e um do PDT.

O novo presidente, que deve ser eleito até a próxima semana, será o responsável pela condução dos processos contra Arruda e de investigação dos envolvidos no "mensalão do DEM". O governador pretende esvaziar as investigações e enterrar a CPI que apura denúncias contra ele. A renúncia de Prudente foi lida ontem em plenário e uma nova eleição tem de ser feita em até sete dias, a partir da publicação da renúncia no Diário Oficial.

A oposição acusou os aliados de Arruda de golpe. "O governador quer impor um presidente que venha para sepultar qualquer tipo de investigação", disse a deputada distrital Erika Kokay, do PT. "A ingerência do governo é clara", reclamou. Seu correligionário, Paulo Tadeu, que integra a CPI, também questionou a ação de Prudente. "É muito difícil derrotar um governo com uma base tão ampla no Legislativo", afirmou. O PT deve indicar Cabo Patrício para concorrer ao cargo.

A base de Arruda deve indicar Eliana Pedrosa (DEM) e Wilson lima (PR), cuja candidatura é patrocinada pelo governador. O ex-secretário de Arruda Raimundo Ribeiro (PSDB) também é candidato à presidência.

Além da renúncia de Prudente, Arruda beneficiou-se com o adiamento do início da CPI. O depoimento de seu ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, responsável pelas denúncias do mensalão do DEM, estava previsto para hoje, mas foi cancelado, a pedido de Barbosa. A nova data deve ser definida na quinta-feira. O PT pressiona pelo depoimento. "CPI tem poder de polícia. Barbosa foi convocado, não convidado", disse a petista Erika Kokay. Dos cinco integrantes da CPI, quatro são da base governista.