Título: Petista ataca oposição em ato de adesão do PR
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 06/04/2010, Política, p. A8
Em seu discurso de estreia de campanha fora do governo, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, fez contundentes ataques aos adversários na disputa presidencial, usando palavras como "forças do atraso", "lobos em pelo de cordeiro" e "anti-Lula". Foi recebida aos gritos de "Dilma presidente" na posse do senador e ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento na presidência do Partido da República (PR) - primeiro evento partidário de apoio à sua pré-candidatura do qual participou após deixar a Casa Civil.
"O nosso povo tem consciência política. Está alerta para os lobos em pele de cordeiro. Esses falsos cordeiros são fáceis de identificar. Muitas vezes as mãozinhas de lobo aparecem por debaixo da pele de cordeiro. Um dia tentam enganar, dizendo que vão continuar o trabalho do presidente Lula. Outro dia mostram a patinha de lobo, cometem atos falhos, criticam tudo, ameaçam acabar com o PAC, ameaçavam acabar com o Bolsa Família e ameaçam mudar a política econômica, que deu tanto certo".
Dilma referiu-se à crítica do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), segundo a qual o PAC "não se realizou, não tem prioridades programáticas e somente os projetos eleitoreiros estão andando". "Dizem que vão continuar o que o governo Lula está fazendo. Como é que vão continuar, se passaram os últimos sete anos e meio criticando? Eles são e sempre foram o anti-Lula", disse. "Estamos juntos para não deixar que nosso país retroceda. Na luta para não deixar que as forças do atraso voltem e tragam novamente esse processo que durou décadas no Brasil, que foi a estagnação".
Em resposta, o presidente do PSDB divulgou nota: "A ex-ministra continua mentindo, seguindo a prática usada pelo PT desde 2006. O povo já conhece essas mentiras e esse terrorismo, não vai cair nelas novamente. Patinhas prá cá, patinhas prá lá, não é o tipo de conversa que nos interessa, não merece resposta. Alguma coisa está tirando a tranquilidade da candidata".
Dilma, impedida legalmente de pedir votos nesta fase de pré-campanha, que vai até o fim de junho, conclamou o PR a manter a aliança com o PT para "seguir adiante" e continuar o projeto do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. "Nós estamos juntos na luta para não deixar que aqueles que sempre governaram esse país para os ricos e excluíram os mais pobres voltem", disse.
Dilma listou conquistas do governo, como a afirmação diante do Fundo Monetário Internacional, a reunião de reservas de quase US$ 243 bilhões, o crescimento econômico, o enfrentamento da crise financeira internacional, os 20 milhões de brasileiros que saíram da pobreza e outros 30 milhões elevados à classe média. "Não podemos deixar que o Brasil entre na contramão de sua própria grandeza e volte a, de cabeça baixa e submisso, ficar prestando satisfação, como disse um dia o nosso presidente, ao sub do sub do sub, seja ele quem seja, de que país seja."
A continuidade desse projeto, de acordo com Dilma, só estará assegurada por um governo eleito pela aliança atual. "Aqueles que venderam nosso patrimônio, que quebraram o Brasil, que deixaram nosso povo sem salários dignos, sem renda adequada, não serão capazes de levar isso à frente".
Ela disse que o governo anterior levou o país a um processo de estagnação e baixo crescimento, que ela definiu como "voo de galinha". Ironizou uma posição manifestada por setores da oposição, segundo a qual o sucesso do governo Lula era resultado de sorte. "Hoje podemos dizer alto e bom som: sorte, temos sim. Não queremos nenhum pé frio nem azarado dirigindo o Brasil. Mas temos sem dúvida capacidade de trabalho e competência para agir no momento certo diante de crise. Provamos isso, não estamos falando de garganta."
Dilma chegou ao evento do PR junto ao presidente do PT, José Eduardo Dutra. Participaram também o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). A ex-ministra não poupou gentilezas ao ex-governador Anthony Garotinho (RJ), que assumiu a primeira secretaria do PR. Ele será candidato a governador do Rio e dará palanque a Dilma - além do garantido pelo governador Sérgio Cabral (PMDB), que disputa a reeleição com apoio do PT.
Garotinho deverá ter sua pré-candidatura aprovada pelo PR do Rio em congresso partidário no sábado e espera contar com a presença de Dilma. É o mesmo dia em que o ex-governador tucano José Serra (SP) será lançado pré-candidato, em ato do PSDB, do DEM e do PPS em Brasília. "Ela disse que dependerá da agenda do presidente", contou Garotinho, revelando que a ministra e o presidente estudam participar de algum evento em São Paulo "para dividir a atenção".