Título: Lula orienta ministros a divulgar ações de Dilma e associá-la ao PAC
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 06/04/2010, Política, p. A8
A pré-candidata a presidente pelo PT, Dilma Rousseff, contará com a colaboração dos ministros de Estado para mantê-la em evidência até o início da campanha eleitoral, em julho, e continuar associando-a às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), gerenciado por ela enquanto esteve à frente da Casa Civil.
A estratégia consta de orientação dada ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a primeira reunião ministerial com os novos ministros empossados na semana passada. Lula os orientou a acelerar a execução do PAC até o fim do mandato e que cada um participe de inaugurações, pelo país, das obras sob competência dos seus ministérios. Pediu que não sejam criados programas ou obras para não haver descontinuidade nas políticas públicas e que o PAC 1 e o PAC 2 estejam sob atenção de equipes diferentes.
Sua preocupação, manifestada na reunião, é que os ministros desviem a atenção para as eleições e deixem os últimos nove meses do seu governo de lado. Entretanto, a ordem dada beneficia diretamente a candidata governista no período pré-eleitoral, em que ela precisa se manter em evidência e tentar assegurar o crescimento nas intenções de voto.
Após a reunião, o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) disse que Dilma, ex-ministra da Casa Civil e considerada por Lula a "mãe do PAC", deverá participar das inaugurações do programa, mas que o assunto não foi tratado na reunião. "Não há vedação para que ela participe de inauguração de obras", afirmou. Em algumas dessas inaugurações, ela estará ao lado também de Lula, que, segundo Padilha, será ativo na campanha eleitoral de sua candidata e dos aliados nos Estados.
Ocorre que, após as duas multas impostas a ele pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por propaganda eleitoral antecipada, tanto o governo como a coordenação da campanha estão cautelosos quanto à forma de atuar. Estuda-se até mesmo uma consulta conjunta entre PT e PSDB no TSE, já que situação semelhante vive o candidato tucano a presidente, o ex-governador de São Paulo José Serra. Afastado do governo, há dúvidas quanto à possibilidade de ele participar das inaugurações de obras do governo que comandou até a semana passada. A dúvida, porém, não serve para eventos não oficiais. Padilha disse ontem que nos fins de semana e no período noturno Lula fará campanha como militante político.
A reunião ministerial de ontem foi aberta com explanações do advogado-geral da União, Luís Inácio Lucena Adams, justamente sobre o limbo existente entre atos de campanha e atos eleitorais. Ele falou sobre a cartilha elaborada pelo órgão, com condutas vedadas aos agentes públicos federais neste período e sobre a "cautela para que seus atos não estejam de alguma forma interferindo na isonomia necessária entre os candidatos ou violando a moralidade e a legitimidade das eleições", conforme descrito no documento.
A situação da economia também foi assunto da reunião. O presidente questionou a área econômica sobre como o governo poderia manter a economia aquecida - daí a preocupação com a conclusão das obras do PAC. Alguns ministros levantaram dúvidas sobre o déficit da conta corrente, ao que o ministro Guido Mantega (Fazenda) e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, transmitiram tranquilidade em razão do elevado índice das reservas cambiais.