Título: No Senado, Celso Amorim é bombardeado por Tasso
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 07/04/2010, Política, p. A9

A presença do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ontem, em uma audiência pública para debater a política externa brasileira no Senado acabou ganhando conotação eleitoral, com o ministro sendo acusado de "collorido", tucano e neopetista, em alusão ás suas participações, respectivamente, nos governos Fernando Collor (então PRN), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Amorim foi convidado a falar na Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre as relações do país com Cuba, Irã e a definição da compra dos caças da Força Aérea Brasileira. A oposição, desde, fez fortes ataques à condução da política externa do governo e colocou em suspeição o posicionamento partidário do ministro.

Quem levantou a questão foi o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE): "Se fosse no governo anterior (FHC) seu candidato seria outro". Amorim respondeu: "Você quer saber em quem eu votei?". Tasso rebateu: "Aliás, o senhor começou como "collorido". O ministro disse que se orgulhava de ter estado nos governos que participou. "Fui ministro do Itamar e sou amigo e tenho grande estima pelo governador José Serra. Agora, se ele considerou meu nome (para ser ministro caso tivesse ganho as eleições em 2002) eu li nos jornais. Ele nunca me disse". Tasso finalizou: "Ele (Serra) é mesmo de guardar segredos".

Amorim foi diretor-geral para Assuntos Econômicos no governo Collor. No governo Itamar Franco (então PMDB), foi chanceler. Na gestão seguinte, de FHC, chefiou a Missão Permanente do Brasil nas Nações Unidas, em Nova York, função que exerceu até 1999, e foi chefe da missão brasileira na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, Suíça. Em 2001, foi transferido para Londres, onde foi embaixador. Foi a participação no governo anterior que motivou Tasso a dizer a ele, ontem, que "seu neopetismo é comovente". O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) concordou e disse que "lamentalvelmente essa questão partidária foi introduzida na diplomacia brasileira".

Amorim passou toda a sessão defendendo o Itamaraty. "Nesse período, o prestígio do Brasil só subiu. Erramos em alguns momentos, mas quem quer que vença as eleições dará continuidade às metas de concluir a Rodada Doha e obter vaga no Conselho de Segurança da ONU"