Título: Hu chega, sorri, mas não muda posição da China
Autor: Ribeiro , Alex
Fonte: Valor Econômico, 13/04/2010, Internacional, p. A13

O presidente da China, Hu Jintao, disse em Washington que está disposto a participar da elaboração nas Nações Unidas de novas sanções ao Irã, segundo relatos das autoridades americanas. Entretanto a China continua firme em rejeitar a proposta de proibir novos investimentos no setor energético iraniano, como parte de uma eventual nova rodada de sanções.

Os americanos comemoraram publicamente a "adesão" de Hu, mas relatos de diplomatas próximos às negociações na ONU sugerem ser precipitado dizer que os chineses vão se alinhar às propostas dos EUA.

O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Jeff Bader, afirmou que os dois líderes conseguiram alcançar uma posição comum durante a reunião. De acordo com Bader, os chineses "estão preparados para trabalhar conosco", o que chamou de um outro sinal da unidade internacional a respeito das sanções.

Segundo ele, o presidente Barack Obama e Hu, que se encontraram durante a cúpula nuclear celebrada em Washington, conversaram sobre o Irã e discutiram a proliferação nuclear.

"A resolução deixará claro para o Irã o custo de desenvolver um programa nuclear que viola as obrigações e responsabilidades de Teerã", disse Bader a jornalistas depois do encontro entre Hu e Obama. "Os chineses estão ativos na mesa em Nova York."

Não chega a ser uma novidade. Após meses de indecisão, a China relutantemente aceitou na semana passada participar da redação de um novo pacote de sanções, junto com os outros quatro integrantes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, França, Reino Unido e Rússia), mais a Alemanha.

Diferentemente do tom festivo de Bader, diplomatas chineses disseram que o país discorda da proposta de proibir novos investimentos no setor energético iraniano.

Sob condição de anonimato, vários diplomatas disseram à agência de notícias Reuters que o embaixador chinês na ONU, Li Baodong, indicou sua insatisfação com propostas que venham afetar o setor energético do Irã, durante três horas de reunião com os representantes das demais potências na quinta-feira.

"Em geral, o embaixador chinês não quis discutir detalhes específicos do texto", disse um diplomata, referindo-se ao texto-base sugerido pelos EUA. "Notou-se que os chineses não concordam com as propostas energéticas", acrescentou outro diplomata.

Vários enviados diplomáticos disseram à Reuters que a proposta dos EUA incluiria a proibição de novos investimentos no setor energético iraniano. Por outro lado, a proposta não contempla um veto à importação ou exportação de petróleo, gás e combustível, como queriam alguns nos EUA e em Israel.

Li disse na semana passada a jornalistas que a reunião havia sido "uma negociação muito construtiva", e que haveria um novo encontro nesta semana.

A Rússia também se mostrou contrária. O presidente russo, Dmitri Medvedev, disse que punições ao setor energético do Irã não devem prosperar.