Título: Para Amorim, é possível para empresas brasileiras aumentar negócios com Irã
Autor: Ribeiro , Alex
Fonte: Valor Econômico, 13/04/2010, Internacional, p. A13
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que a missão comercial ao Irã iniciada domingo deverá contribuir para aumentar o comércio exterior brasileiro, apesar das ameaças de retaliação dos americanos às empresas que fizerem negócios com o país. "Não vamos trocar os EUA pelo Irã", afirmou Amorim.
Reportagem publicada ontem pelo Valor diz que o Ministério do Desenvolvimento, que organiza uma missão empresarial ao Irã, alertou as empresas que participam da iniciativa que elas estão sujeitas a retaliações unilaterais dos Estados Unidos.
Ontem, Amorim disse ser possível aumentar aos negócios com o Irã sem, necessariamente, perder espaço nos Estados Unidos. "Essa é uma escolha que as empresas vão fazer individualmente", afirmou. "Aquelas que dependerem muito do mercado americano podem achar que saem perdendo se aprofundarem relações com o Irã."
O ministro disse que as sanções que o Conselho de Segurança da ONU estuda impor ao Irã, se levadas adiante, não deverão afetar todos os negócios entre o Brasil e o país do Oriente Médio. "Continuamos a defender uma solução pacífica e negociada para o Irã", disse Amorim. "Mas, mesmo se houver sanções, elas dificilmente irão atingir todas as relações econômicas."
Segundo Amorim, o Brasil irá respeitar as eventuais sanções multilaterais, como sempre fez. "Mas precisa ver quais serão as sanções. Será que vão impedir a venda de alimentos ao Irã? Duvido que chegue a esse ponto. Não vão impedir a venda de produtos agrícolas e ônibus."
No caso das sanções unilaterais impostas pelos EUA ao Irã, disse Amorim, o Brasil não está obrigado a segui-las. Mas ele reconheceu que empresas que tenham negócios nos Estados Unidos eventualmente terão que fazer escolhas. "Cada empresa terá que escolher", afirmou. "Tem empresas que não têm investimentos nos EUA."
Os EUA tentam angariar apoio de outros países para aprovar, no Conselho de Segurança da ONU, sanções econômicas ao Irã para tentar forçá-lo a renunciar ao seu programa nuclear, que, segundo os americanos, teria objetivo de construir uma bomba atômica.