Título: Currículo não interessa, eleitor quer um líder, diz Marina
Autor: Camarotto , Murillo
Fonte: Valor Econômico, 31/03/2010, Política, p. A7

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, desqualificou ontem a estratégia de campanha que deve ser adotada pelo PSDB, baseada na comparação dos currículos da ministra Dilma Rousseff (PT) e do ainda governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Confiante de que sua origem popular e seu histórico de vida possam atrair os votos dos eleitores fieis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marina afirmou que, se essa comparação surtisse algum efeito nas urnas, Lula não teria chegado ao Palácio do Planalto.

"O brasileiro não está interessado em comparação de currículos. Quer um líder. Se fosse diferente, talvez o presidente Lula não tivesse passado", disse a ex-senadora durante o primeiro dos três dias que passará em Pernambuco. A candidata minimizou ainda a fama de "gerentes" atribuída a Dilma e Serra: "Para o Brasil, essa política de gerência não faz jus às necessidades. O Brasil precisa de pessoas que pensem o futuro a partir do potencial que temos."

Seu comando de campanha acredita que o histórico da ex-seringueira possa ser um ativo eleitoral importante, especialmente no Nordeste, onde Lula é ainda mais popular. Questionada sobre essa possibilidade, entretanto, a candidata é cautelosa. "Tenho respeito e admiração pela trajetória dele, e humildade para não me comparar. Deixemos o povo avaliar", relatou.

A senadora se disse preocupada com a campanha antecipada. "Os líderes da nação têm que cumprir a lei, servir de exemplo. É muito negativa essa sensação de que está havendo extrapolação", criticou Marina.

O PAC 2 também foi alvo de muitas queixas da candidata. Segundo ela, não se trata de um programa, mas sim de "colagem de obras". Marina também alertou para o fato de que muitos dos investimentos do PAC 2 são, na verdade, sobreposições à versão anterior do programa. "Alguma coisa nessa marmita está requentada", ironizou.

Na avaliação da candidata, muitas obras do PAC não têm razão de ser, caso da Rodovia BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). "A BR-319 é uma obra de cunho político-eleitoreiro, que não liga ´lé´ com ´cré´", disparou. Solicitada a comparar sua visão de desenvolvimento com a de Dilma, Marina afirmou que, diferente da ministra, não acredita no "crescimento pelo crescimento". Disse ainda que a revitalização Sudene como órgão responsável pela elaboração de políticas de desenvolvimento para a região, estará em seu programa de governo.