Título: EUA ampliam críticas à produção de cana no Brasil
Autor: Ribeiro , Alex
Fonte: Valor Econômico, 12/03/2010, Agronegócios, p. B16

ODepartamento de Estado americano faz quatro menções negativas àprodução de cana-de-açúcar no Brasil em seu relatório anual sobredireitos humanos, o que tende a prejudicar os esforços da indústriabrasileira de etanol para derrubar as barreiras tarifárias paraexportar o produto aos Estados Unidos.

Aprodução de cana-de-açúcar aparece associada ao trabalho escravo, aotrabalho infantil e à repressão do movimento sindical. No ano passado,havia duas menções negativas ao setor e, neste ano, aparecem quatro. Aprodução de café e de algodão, por outro lado, desapareceu do relatório.

Todosos anos, o Departamento de Estado produz um relatório detalhando asviolações dos direitos humanos em todos os países do mundo, exceto nosEstados Unidos. O material é encaminhado ao Congresso e, muitas vezes,é usado como uma referência quando são tomadas medidas comerciaisimportantes.

Osamericanos impõem uma tarifa de 14 centavos de dólar sobre cada litrode etanol importado. A derrubada da barreira depende de decisão doCongresso. Os lobbies contrários aos interesses brasileiros, sobretudoprodutores locais de etanol feito de milho, costumam citar violaçõesaos direitos humanos como um motivo a mais para barrar as importações.

No relatório, há uma referência indireta, sem citar o nome, à Cosan."Em dezembro, o Ministério do Trabalho incluiu em sua "lista negra" 165empregadores em 17 Estados que usaram mão-de-obra em situação análoga àde trabalho escravo", afirma o documento do Departamento de Estado. "Emum caso envolvendo o maior produtor mundial de cana-de-açucar, suainclusão na lista gerou uma ação judicial que continuava em curso."

ACosan foi incluída na lista do Ministério do Trabalho devido a um casode 2007, que, segundo a companhia, já foi resolvido. A empresa foiconsiderada responsável solidária em trabalho escravo cometido por umaterceira empresa, que atuava de forma indireta na sua cadeia produtiva.Em janeiro, a Cosan obteve uma liminar que obrigou o Ministério doTrabalho a retirá-la do cadastro.

Aolongo dos últimos anos, o relatório citou, de forma genérica, o setorde cana-de-açucar como uma das atividades em que o trabalho escravoocorre com maior frequência, ao lado da produção de café e de algodão.Neste ano, foi excluída a menção ao café e ao algodão.

Osetor também é relacionado ao trabalho infantil. "Crianças foramenvolvidas em produção pecuária, plantio de cana e na produção decerâmica, tijolos, carvão, sisal e calçados."

Emum outro trecho que trata da liberdade sindical, o Departamento deEstado relata que no dia 23 de agosto de 2009 dois homens mascaradosatiraram e feriram Elio Neves, presidente da Federação dosTrabalhadores Assalariados do Estado de São Paulo, conhecido porrepresentar os interesses dos trabalhadores do setor de cana-de-açúcarem Ribeirão Bonito. "Até o fim do ano não havia nenhuma prisão", afirmao relatório.