Título: Comissão Executiva do PSB decide destino de Ciro
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 22/04/2010, Política, p. A6

A cúpula do PSB vai consultar, até o dia 27, os pré-candidatos a governador e os diretórios estaduais do partido sobre a conveniência política, ou não, do lançamento de candidatura própria à Presidência da República para as alianças eleitorais locais. A decisão será tomada em reunião da Executiva Nacional, na terça-feira, em Brasília, com o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Para a cúpula do PSB, a candidatura própria tornou-se inviável, por falta de apoio político. Mas busca uma saída política para a desistência, evitando que Ciro saia derrotado. A preocupação é que aumente o conflito entre Ciro e o PT. Os socialistas dizem que, sem candidatura própria, a alternativa do partido é o apoio à petista Dilma Rousseff. O impasse em torno da situação de Ciro foi discutido ontem entre o presidente da legenda, governador Eduardo Campos (PE), em almoço com Roberto Amaral, vice-presidente, e, depois, em conversa de Campos com o secretário-geral do partido, senador Renato Casagrande (ES). Os socialistas não querem interferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para eles, a decisão deve ser partidária. Até agora isolado, manifestando-se praticamente por meio do site e do twitter na internet, Ciro deve ter uma conversa com Roberto Amaral, hoje ou amanhã. A intenção é que ambos façam uma reflexão do quadro. Será a primeira conversa de Ciro com o partido após a reunião de 29 de março com a Executiva Nacional, na qual foram discutidas as dificuldades da candidatura. O PSB não conseguiu atrair nem os parceiros históricos PDT e PC do B. No encontro, o deputado afirmou que seguiria a decisão partidária. Foi fixado prazo até final de abril para bater o martelo. De lá para cá, Ciro "mergulhou", segundo palavras de um dirigente socialista, e divulgou artigos, em seu site, cobrando decisão do partido. Causou constrangimento, segundo correligionários. Amigos de Ciro dizem acreditar que, apesar de críticas feitas pelo deputado contra o PT, é improvável que ele suba o tom, com ataques mais duros contra o partido e Dilma. Isso porque ele não quer prejudicar o irmão, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), que é candidato à reeleição. O PT faz parte da aliança de Cid, mas a relação passa por dificuldades. Cid quer lançar apenas um candidato ao Senado, o deputado Eunício Oliveira (PMDB), com quem tem compromisso público. Mas o PT insiste em lançar o ex-ministro José Pimentel para a outra vaga na chapa - que Cid gostaria de deixar livre, para ajudar a reeleição do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). O PT ameaça até lançar candidato a governador. Como há divergências entre os socialistas sobre o lançamento ou da candidatura de Ciro a presidente - há, inclusive, movimentos lançados na internet a favor da candidatura-, os dirigentes querem ter um balanço da posição do partidos nos Estados, principalmente naqueles em que o PSB tem pré-candidato a governador. A Executiva Nacional quer ter em mãos uma avaliação de como uma candidatura própria a presidente afetaria as alianças regionais. Por enquanto, o PSB tem pré-candidatos nos seguintes Estados: Amapá, Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo. Nos três já governados pelo PSB (CE, PE e RN), seus pré-candidatos têm apoio do PT. Os socialistas gostariam de contar com os petistas em outros Estados (AP, PI e ES). Também querem apoio do PT para que o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB) seja lançado candidato a senador na chapa do petista Agnelo Queiroz.

R.C. e R.U