Título: Liberação de carne de SC não afetará produtor local , diz governo americano
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 20/04/2010, Brasil, p. A2
Não são esperadas importações de bovinos, já que Santa Catarina não é grande produtor de animais para corte, segundo a avaliação das autoridades americanas. As projeções indicam que os embarques de produtos suínos aos EUA devem equivaler a 3% das importações americanas no segmento.
Há alguns dias, o USDA abriu para consulta pública uma regulação que declara Santa Catarina como região livre de febre aftosa e outras doenças que afetam rebanhos bovinos e suínos. Os americanos dizem que a derrubada da barreira sanitária é uma das compensações para evitar que o Brasil imponha retaliações no caso do algodão, disputa sobre subsídios que foi arbitrada na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Mas os EUA iam resolver a questão dos suínos antes mesmo do caso do algodão. Em meados de março, antes de os EUA apresentarem uma proposta concreta para o caso do algodão, o USDA já havia sinalizado a uma comitiva do governo brasileiro que as barreiras sanitárias aos produtos suínos de Santa Catarina poderiam ser suspensas.
Na ocasião, o subsecretário para assuntos de regulação do USDA, Edward Avalos, disse que a consulta pública para a nova regulação sairia em cerca de 60 dias -- ou seja, até meados de maio. .
" A regra proposta não deverá ter um impacto econômico significativo para pequenos produtores, porque não se espera que vá resultar em exportações de carne bovina ou outras para os Estados Unidos " , afirma o relatório econômico preparado pelo USDA. " Santa Catarina tem menos de 3% do rebanho bovino brasileiro, a maioria gado leiteiro. "
O relatório do USDA cita estimativa da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), que calcula em 10 mil toneladas as exportações anuais brasileiras de carne suína para os Estados Unidos, caso a barreira sanitária seja derrubada. " Seria equivalente a 2% das exportações brasileiras de suínos e 3% das importações de suínos dos Estados Unidos " , diz o relatório da USDA.
Em 2008, diz o USDA, os Estados Unidos ultrapassaram a União Europeia como o maior exportador de suínos do mundo, com 2,1 milhões de toneladas, colocando seus produtos em mercados como Japão, México, Canadá e Rússia.
Embora as exportações projetadas do Brasil para os Estados Unidos não sejam relevantes, a queda da barreira sanitária é considerada importante. A aprovação pelo rigoroso USDA deverá derrubar barreiras sanitárias em outros países e abrir novos mercados para a carne suína brasileira. O Brasil pede a liberação da importação de carne de Santa Catarina há pelo menos dez anos.
O Brasil ganhou o direito de impor US$ 830 milhões retaliações a produtos americanos em disputa que se arrastou por mais de uma década na OMC, que questiona os subsídios americanos à produção de algodão. Os Estados Unidos acenaram com uma negociação concreta no início deste mês que envolve, entre outros, o fim da barreira sanitária à importação de suínos e bovinos de Santa Catarina.