Título: Programa de radialista popular é o mais disputado do Estado
Autor: Murillo Camarotto
Fonte: Valor Econômico, 22/04/2010, Especial, p. A14
Conhecido como o "comunicador da maioria", o radialista Geraldo Freire, no ar desde 1968, é o mais famoso de Pernambuco. Não raro, o programa que comanda há 18 anos, todas as manhãs, pela Rádio Jornal ultrapassa a marca dos 60% de audiência entre as emissoras AM do Estado. Devido à sua grande popularidade, especialmente junto ao público de baixa renda, Freire é comumente visitado por todos os políticos importantes que passam pela capital pernambucana. O linguajar simples e direto chega a constranger muitos entrevistados, caso da pré-candidata à Presidência da República Dilma Rousseff (PT), sabatinada por Freire na terça-feira, exatamente uma semana após o também presidenciável José Serra (PSDB) conversar com o radialista. Para satisfazer seus ouvintes, Freire não hesitou em perguntar, por exemplo, se Dilma fazia dieta, se gostava de comer buchada de bode e por quem batia seu coração. Na semana anterior, questionou Serra sobre sua declarada mania de passar madrugadas em claro. Também quis saber se o governador tinha mesmo a intenção de acabar com o Bolsa Família, como vivem a dizer petistas das mais variadas graduações. Em uma outra oportunidade, ao vivo, fez o tucano cantar "Asa Branca", de Luiz Gonzaga. Com Dilma ocorreu o mesmo. A candidata cantarolou "Respeita Januário", também de Gonzagão. Outra postulante ao Planalto, Marina Silva (PV) também já foi entrevistada por Freire, bem como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o antecessor Fernando Henrique Cardoso, os dois com exclusividade. Em sua entrevista, Dilma afirmou ao radialista que, eleita presidente, não usará bonés e camisetas de movimentos sociais, como cansou de fazer o seu "grande conselheiro" Lula. Segundo a candidata, "não é cabível" a um presidente da República vestir o boné do Movimento dos Sem Terra (MST): "Governo é governo, movimento é movimento." Sem rodeios, Freire também questionou a ex-ministra da Casa Civil sobre sua capacidade de ser presidente, devido ao fato de jamais ter disputado uma eleição ou ocupado um cargo eletivo. "Você acha que haja melhor escola do que coordenar todos os programas do governo Lula durante cinco anos?", indagou Dilma. "Me considero extremamente preparada. Conheço os problemas do Brasil e sei como resolvê-los", emendou. Apertado pelo radialista em relação ao Bolsa Família, Serra afirmou que irá melhorar o programa, vinculando seu pagamento mensal a programas de capacitação para os jovens das famílias beneficiadas. Sobre as declarações de Lula, de que "quem acorda depois das 10 horas terá que lutar para conseguir se eleger", o tucano demonstrou certo destempero. "Acordo a hora que precisar". No ano passado, quando ainda governava São Paulo, Serra visitou o município de Exu, no sertão pernambucano, a convite de Geraldo Freire. A ideia do radialista era apresentar ao tucano o museu erguido em homenagem a Luiz Gonzaga, natural daquela cidade. O radialista também fez Serra se comprometer a ajudar na reforma do museu caso fosse eleito presidente. O então governador topou, mas nem esperou a vitória nas urnas para afagar o badalado radialista. Semanas mais tarde, enviou uma contribuição de R$ 100 mil, segundo informou o produtor do programa de Freire, Wagner Gomes.