Título: PT inclui pré-sal da Petrobras no PAC 2
Autor: Rafael Rosas e Cláudia Schüffner
Fonte: Valor Econômico, 22/03/2010, Eu e S.A., p. D5
do Rio A Petrobras surpreendeu ao anunciar, na sexta-feira, durante a divulgação dos resultados financeiros de 2009, investimentos de US$ 200 bilhões a US$ 220 bilhões no período 2010 até 2014. O maior valor é 26% maior que o estimado no plano anterior, que previa US$ 171,4 bilhões até 2013, que recebeu críticas dos analistas na época por conta do vulto das cifras envolvidas . Antes de deixar a presidência do conselho de administração da companhia, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, garantiu a inclusão do pré-sal na segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). O programa vai alocar dois terços dos investimentos da Petrobras previstos até 2014. A saída da ministra do conselho, antecipada pelo Valor, foi confirmada na sexta-feira. O ministro Guido Mantega, da Fazenda, vai ocupar o lugar de Dilma. "Do piso de R$ 360 bilhões (US$ 200 bilhões) que investiremos até 2014, R$ 264,8 bilhões se encaixam no PAC 2. Ainda temos outros R$ 100 bilhões fora do PAC 2", explicou o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa. Do total que será incluído dentro do projeto do governo, R$ 163,6 bilhões serão alocados em exploração e produção; R$ 80,5 bilhões no abastecimento, R$ 20,2 bilhões no gás e energia e R$ 430 milhões na Petrobras Biocombustíveis. Segundo a companhia, os recursos incluídos no PAC 2 preveem "expressivo investimento" no pré-sal sem descontinuar o investimento no pós-sal, a modernização do parque de refino e alcooldutos, entre outros. Questionado sobre a possibilidade de o processo de capitalização da companhia (que pode chegar a US$ 50 bilhões) não ser aprovado no Congresso, Barbassa admitiu que a estatal terá que pensar em um plano de investimento capaz de manter os desembolsos entre US$ 200 bilhões e US$ 220 bilhões sem elevar o nível de alavancagem financeira. A empresa fechou o ano passado com alavancagem líquida de 31%, endividamento total de R$ 100,3 bilhões e dívida líquida equivalente a 1,2 vez o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (lajida) - uma medida de desempenho financeiro que não faz parte das demonstrações financeiras. Ao divulgar o plano de investimentos até 2014, a Petrobras informou que eles deverão passar por uma análise de "financiabilidade" que limite o indicador dívida líquida/lajida em 2,5 e o grau de alavancagem líquida ao máximo de 35%. Se ultrapassar essa faixa, ela perde a classificação de investimento não especulativo. Para 2010, o orçamento aprovado foi de R$ 88,5 bilhões, 11% maior que a previsão encaminhada ao Congresso em agosto do ano passado (R$ 79,5 bilhões). Já os resultados financeiros mostraram que uma forte redução de despesas operacionais ajudou a Petrobras a registrar lucro líquido de R$ 8,1 bilhões no quarto trimestre de 2009, valor 11% maior que o verificado no mesmo período de 2008 e acima da média das previsões dos analistas de investimento. No ano, a empresa obteve lucro de R$ 29,0 bilhões, 12% abaixo dos R$ 32,9 bilhões de 2008, o que foi atribuído em parte ao câmbio - que de uma desvalorização de 32% do real em 2008 passou para uma apreciação de 26% no ano passado - e a queda no preço do petróleo. As vendas trouxeram receita de R$ 47,6 bilhões no quarto trimestre que, apesar de 8% menores que as do mesmo período de 2008, foram compensadas por uma redução de 21% no custo dos produtos vendidos. As despesas operacionais também caíram de R$ 9,7 bilhões (2008) para R$ 7,3 bilhões no último trimestre de 2009, ficando estáveis em R$ 27,5 bilhões nos últimos dois anos.