Título: PT garante apoio ao candidato de Cabral à segunda vaga ao Senado
Autor: Rocha , Janes
Fonte: Valor Econômico, 26/04/2010, Política, p. A10

O deputado Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deverá ser o candidato do PT para a segunda vaga do partido ao Senado pelo Estado. A primeira é do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias.

A informação é do presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra. Em uma rápida entrevista ao Valor ontem, Dutra explicou que o apoio a Picciani é coerente com a posição definida pelo partido em seu encontro estadual deste domingo, na quadra da escola de samba Portela, na Zona Norte do Rio. Com a presença da pré-candidata do PT à Presidência Dilma Rousseff, o partido sacramentou a aliança com o PMDB no Estado e o apoio à reeleição do governador Sérgio Cabral, além da candidatura de Lindberg.

"No Rio, o partido vai apoiar o candidato do (governador) Sérgio Cabral", reiterou Dutra. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido o apoio do partido ao senador e cantor gospel Marcelo Crivella, candidato do PRB.

Questionado sobre esta contradição, Dutra respondeu que o presidente Lula tem "liberdade" para fazer suas declarações e manifestar suas preferências. "Não podemos enquadrar o presidente da República", respondeu Dutra, frisando, entretanto, o compromisso assumido pelo partido no Estado com o PMDB. "O presidente [Lula] tem demonstrado simpatia pelo Crivella, mas da mesma forma que o PT espera o apoio do PMDB [para a candidatura de Dilma à Presidência] temos o compromisso de apoiar o candidato do PMDB aqui", disse Dutra.

O apoio ao governador atual coloca em dúvida também a aliança com o ex-governador Anthony Garotinho, do PR, de oposição a Cabral e que já havia manifestado apoio à candidatura de Dilma. Questionada sobre Garotinho, Dilma disse que tudo vai depender da coordenação do partido com a base aliada no Estado.

A cautela marcou o tom da ex-ministra neste domingo. O tempo todo ela falou pausadamente e em alguns momentos parecia pensar duas vezes antes de usar algum adjetivo. Foi assim também quando questionada sobre as críticas do deputado Ciro Gomes. Depois que perdeu o apoio do PSB à sua candidatura à Presidência, Ciro questionou a capacidade de Dilma ao declarar que o pré-candidato do PSDB José Serra está mais preparado para o cargo que ela.

Respondendo a uma pergunta sobre o assunto feita por jornalistas, a pré-candidata petista evitou polemizar, dizendo que tem "admiração e amizade" por Ciro, mas que não comentaria suas declarações. Porém, em seguida, disse que se considerava preparada para assumir a Presidência e listou todas as principais atividades administrativas e políticas de sua carreira.

Os discursos de encerramento do encontro estadual do PT, tanto da cúpula petista quanto dos aliados, foram focados na parceria entre os três níveis de governo (prefeitura, Estado e União) para a solução dos problemas do Rio.

O governador Sérgio Cabral rasgou elogios a Dilma e até puxou um samba com um dos refrões da campanha à Presidência: "Deixa Dilma me levar, Dilma leva eu". Entretanto, Cabral não emocionou as centenas de petistas que participaram do encontro na Portela. A reação da plateia ao discurso e ao sambinha foi de frieza. Nem uma bandeira se levantou, não houve aplausos, e na entrada da quadra, distantes do palco, muitos petistas vaiaram o governador.

Dilma iniciou sábado sua programação na capital carioca, ao participar do jantar de aniversário de 80 anos da economista Maria da Conceição Tavares. Seu principal opositor, o pré-candidato do PSDB, José Serra, também esteve na festa. Segundo os assessores da ex-ministra, o encontro entre os dois pré-candidatos foi cordial e longe dos holofotes da imprensa, atendendo a pedido da aniversariante.

Pela manhã, antes do encontro estadual do PT, Dilma reuniu-se com um grupo de 20 artistas e produtores culturais em um hotel de Ipanema, na Zona Sul. Do encontro, organizado pelo compositor Wagner Tiso, participaram os atores Hugo Carvana e Cristina Pereira, o cineasta Silvio Tendler, o sociólogo Emir Sader entre outros.

Também no Rio, a União Nacional dos Estudantes (UNE) decidiu em votação que marcou o final do 58º Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg) que se manterá independente e não apoiará candidato nas eleições para a Presidência da República. A expectativa era que fosse votada uma proposta de apoio à pré-candidata do PT, Dilma Rousseff. A proposta era defendida por uma corrente minoritária da UNE. Na madrugada de ontem, o grupo decidiu não levar a proposta para votação. (Com agências noticiosas)