Título: Tucano apoia posição do governo na votação do reajuste dos aposentados
Autor: Ulhôa , Raquel
Fonte: Valor Econômico, 27/04/2010, Política, p. A5
O pré-candidato à Presidência da República da oposição, José Serra (PSDB), apoiou a posição do governo federal quanto ao reajuste dos aposentados do INSS, a ser votado hoje na Câmara. "Eu apoiarei a posição do governo, que tem os números na mão", afirmou Serra, durante o programa Brasil Urgente, apresentado por José Luiz Datena na Band TV.
O governo propôs alta de 6,14%, mas há uma acordo entre parlamentares para que o reajuste passe para 7,71%. "Se sou candidato a presidente, vou estar com as coisas na mão no ano que vem, quero que o governo atue com responsabilidade. Eu confio nisso, confio no Guido Mantega [ministro da Fazenda], é um homem responsável, e também que o presidente Lula saberá o que decidir melhor. De mim, só ouvirá elogio", disse o pré-candidato tucano.
Ao longo da entrevista de uma hora e 15 minutos, na qual até cantou trechos da canção "Chega de Saudade", Serra evitou se opor ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. Prometeu manter uma das principais marcas do atual governo, o Bolsa Família, com a inclusão de ações de qualificação profissional que visem ao aumento do emprego. "Não sou trouxa. Sei governar. A Marta criou o bilhete único. Ampliei o programa. É o que farei com o Bolsa Família", disse. Na mesma linha, afirmou que a saúde no país avançou, mas está estagnada. "Falta remédio de graça, metade da população não tem dinheiro para comprar remédio. Saúde é o setor que o Brasil pode muito mais", disse, citando seu slogan de campanha.
Serra também propôs a criação do Ministério da Segurança Pública "para reorganizar todo o trabalho de segurança no Brasil". Segundo o pré-candidato tucano, o governo federal precisa atuar na área sem deixar a tarefa apenas para os Estados. O pré-candidato fez boa avaliação da Polícia Federal, mas considera que seu contingente não tem condição de crescer 20% ao ano.
Ele defendeu ainda a revisão da lei da redução de pena, após assistir reportagem sobre o assassinado de uma mulher, jogada do segundo andar pelo marido. "Bandido tem que ser enfrentado com dureza, tem que engaiolar", disse Serra.
Sobre as declarações elogiosas a ele vindas do deputado do PSB Ciro Gomes, Serra evitou comentar. "Sapo de fora não chia, eu sou o sapo. Não vou dar palpite, mas é claro que eu prefiro que ele fale bem de mim", afirmou. Sobre o pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Aloizio Mercadante, que criticou as 79 mortes nas enchentes de São Paulo, Serra disse que é "atraso de vida, é perda de tempo" responder ao petista. O tucano disse ser favorável ao projeto da hidrelétrica de Belo Monte, mas defendeu mais conversas com todos os envolvidos. "Não pode ser atropelado, o governo tem que convencer", disse.