Título: Viagem à Venezuela municiará campanha
Autor: Lima , Vandson
Fonte: Valor Econômico, 27/04/2010, Especial, p. A14

No último ano, César Gontijo foi a praticamente todos os países da América Latina - exceto às Guianas - para acompanhar o funcionamento de suas políticas públicas. Suas viagens mais recentes foram à Argentina, da qual voltou no dia anterior à entrevista que concedeu ao Valor, e à Venezuela, onde aproveitou para obter mais informações sobre o apoio do presidente venezuelano Hugo Chávez à candidata do PT, Dilma Rousseff. "É importante para nós entender a Venezuela hoje, um exemplo negativo de gestão. Fui entender como o governo trata a sociedade venezuelana, o equilíbrio de forças e a forma de articulação", avalia.

Gontijo diz ter pago as viagens do próprio bolso: "É papel do secretário-geral estar bem informado". Mas revela que as informações que colhe são repassadas à executiva do PSDB, ajudando a sigla a formar um discurso de combate à candidata petista: "Como ícone de esquerda, o governo venezuelano é uma farsa, com um ditador que cerceia qualquer tentativa de oposição e coage a imprensa. Uma militância totalmente circunstancial, aparelhada e financiada pelo governo. Os programas de tevê noturnos de lá, todos financiados pelo Chávez, estão torcendo pela candidata do PT. Isso não é gratuito. A revolução bolivariana tem no Brasil um grande aliado, ainda mais com a vitória da ministra Dilma".

Gontijo não vê exagero na avaliação. Acredita que os chavistas realmente enxergam a possibilidade de tornar seu modelo majoritário na América Latina. "Conversei com a imprensa de oposição ao Chávez. Ele consegue asfixiá-la financeiramente. Não falarei nomes porque tudo que sai aqui eles monitoram lá", conta. "A história da América Latina tem processos cíclicos: independência, ditaduras, redemocratização, sempre num mesmo período em todos os países. Temos de perceber se é um ciclo ou não. O que está ocorrendo na Venezuela, Bolívia e Equador não pode se expandir".

Gontijo duvida que Dilma mostre na tevê a torcida de Chávez por ela. Por isso o horário eleitoral do PSDB deve se incumbir da tarefa. "O que existe de mais atrasado em termos de desempenho de Estado são Cuba e Venezuela", diz.

César Gontijo adere à tese de que, para conquistar o eleitor simpático ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, tem que convencê-lo permanentemente de que o atual presidente não estará na disputa: "Lula é diferente da Dilma. Ela está totalmente tutelada pelo PT, Lula não estava. Ninguém pode dizer que a Dilma não tem opinião, ela tem. Errada, mas tem"

Na América Latina, só Peru e Colômbia lhe merecem elogios: "O presidente Álvaro Uribe (Colômbia) é tido como direitista, mas o resultado prático de sua administração é exitoso, em termos de saúde e educação. Bogotá, com um governo de esquerda, está em total sintonia e tem índices de desempenho muito bons. Fui lá ver projetos exitosos na área de transportes, como o Transmilenio, copiado de Curitiba e levado para lá. A Colômbia é um exemplo de que pouco interessam as nomenclaturas. O que importa é a prática de gestão." (VL)