Título: Setor agrícola europeu considera acordo "devastador"
Autor: Moreira, Assis
Fonte: Valor Econômico, 05/05/2010, Brasil, p. A3
O setor agrícola europeu denunciou oposição unânime a um acordo de liberalização com o Mercosul, que considera "devastador" para a o setor. Por sua vez, os agricultores brasileiros acham que a negociação é da maior importância também para resolver crescentes problemas regulatórios, que estão começando a dar mais prejuízos que barreiras tarifárias.
A UE diz que um acordo com o Mercosul incluirá um entendimento especial sobre padrões sanitários e fitossanitários, além de um "efetivo" e obrigatório mecanismo de solução de controvérsias para resolver as fricções comerciais entre as duas regiões.
"É ótimo retomar a negociação, todo o pacote de problemas na área regulatória é praticamente com a UE", disse Rodrigo Lima, do Instituto de Estudos de Comércio e Negociações Internacionais (Icone). Ele citou problemas de padrões não apenas para as carnes bovina e de frango, como para farelo e soja, entre outros, prejudicando o acesso à Europa.
O presidente da poderosa central europeia Copa, o irlandês Padraig Walshe, justamente denunciou ontem "condições trabalhistas duvidosas" no Mercosul, falta de equivalência nos padrões de segurança alimentar, bem-estar animal e ambientais que os europeus seguiriam. Além de mais produção intensiva no Brasil e desmatamento no Mercosul. Julga que uma liberalização com o Mercosul causará "gigantesco aumento" na importação de carnes bovina, de porco e de frango, além de trigo e sucos, provocando uma "contração substancial" da agricultura europeia. E repetiu que isso ameaçará 28 milhões de empregos na UE.
A reação dos agricultores europeus não é surpresa, mas ilustra a que ponto Bruxelas terá dificuldades para atender demandas do Mercosul por melhor acesso a produtos como carnes, diante da pressão de produtores da França e Irlanda, sobretudo.
Uma ilustração da dificuldade está na parte de carnes: em 2004, a UE ofereceu ao Mercosul cota de 100 mil toneladas de carne bovina, com tarifa menor, enquanto o bloco pediu 300 mil toneladas, três vezes mais. Para frango, tinha oferecido 75 mil toneladas, ante um pedido de 250 mil toneladas.(AM)