Título: Tuma Jr. anuncia férias para se defender
Autor: Lyra, Paulo de Tarso; Basile, Juliano
Fonte: Valor Econômico, 12/05/2010, Política, p. A6

de Brasília O secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, anunciou ontem que vai tirar férias para defender-se das acusações de amizade com o chinês Paulo Li, preso em São Paulo sob a acusação de integrar a máfia chinesa. Ele, que também preside o Conselho Nacional de Combate à Pirataria, declarou que as férias servirão para preparar a defesa que apresentará à Comissão de Ética Pública. "Tenho a certeza que retornarei de alma lavada e a honra íntegra restabelecida", declarou Tuma Júnior, em entrevista à TV Bandeirantes. De acordo com o secretário - que não será substituído, já que está apenas tirando férias - a decisão foi tomada para evitar que os trabalhos em sua Pasta sejam prejudicados. "Pretendo tirar alguns dias de férias para deixar as coisas navegarem novamente, para que a secretaria possa continuar atuando contra ao crime organizado, contra a lavagem de dinheiro", explicou. Tuma Júnior reuniu-se pelo menos três vezes com o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, antes de tomar a decisão. O ministro já havia aconselhado o afastamento, mas o secretário resistia à ideia. Ontem à tarde a assessoria da Polícia Federal informou, em nota, que não fez interceptações nos telefones de Tuma Júnior, e que ele não era objeto inicial de investigações. Por outro lado, a instituição admitiu que, durante operações contra contrabando envolvendo o chinês Paulo Li, foram identificadas conversas frequentes entre ambos. "O secretário Nacional de Justiça não fazia parte do rol dos investigados nem teve suas linhas telefônicas interceptadas", informou a Polícia Federal. "No entanto, durante o monitoramento dos investigados, foram registrados frequentes diálogos telefônicos entre esses e o secretário", completou. Ao saber das investigações, Tuma Júnior procurou a PF e, em setembro de 2009, prestou esclarecimentos a respeito de sua ligação com o chinês, de quem se diz amigo. Tuma Júnior negou saber de irregularidades nas atividades de Li. A PF informou que o secretário não foi convocado para depor, mas apresentou-se espontaneamente. Os "esclarecimentos" de Tuma Júnior foram dados nos autos da Operação Wen Jin, cujo objetivo foi o de apurar contrabando de aparelhos telefônicos celulares falsificados. A PF informou que abriu dois inquéritos relacionando Li e a Secretaria Nacional de Justiça. O primeiro tem o objetivo de "investigar fraudes na obtenção de visto de permanência de estrangeiros no Brasil, praticadas pelo mesmo cidadão chinês e seu filho". O segundo foi instaurado "para investigar crime de advocacia administrativa por parte do policial federal cedido à Secretaria Nacional de Justiça". A instituição alegou que não pode fornecer mais informações sobre essas investigações, pois elas estão sob segredo de Justiça. "Os diversos indícios sobre o possível envolvimento do secretário Nacional de Justiça constam de diferentes procedimentos, todos sob segredo de Justiça. Dessa forma, a Polícia Federal depende de autorização judicial para uso do material visando à instauração de inquérito policial específico para apurar a prática, em tese, de crime contra a Administração Pública", concluiu a nota.