Título: Seguradoras estão divididas
Autor: Lucchesi, Cristiane Perini; Rocha, Janes
Fonte: Valor Econômico, 12/05/2010, Finanças, p. C8
Entre as seguradoras, as opiniões sobre a intervenção estatal no mercado de seguros garantia se dividem. Alguns como Alexandre Malucelli, presidente da J. Malucelli, a maior seguradora de garantia do país, e Luis Maurette, presidente da Liberty Seguros, acham desnecessária a criação de uma seguradora estatal para atuar no setor. Para esses executivos, o governo pode contar com capacidade no mercado internacional, que sempre deu conta da demanda mundial. Ou poderia utilizar instrumentos já existentes, como o IRB Brasil Resseguros que, na opinião de Malucelli, poderia ter seu capital reforçado. Outros, como os diretores da Itaú Seguros, Antonio Trindade, e da Zurich Seguros, Eduardo Pitombeira, concordam que faltará capacidade no mercado e que a presença de uma seguradora estatal, dependendo do formato, pode ser um fator de equilíbrio. Eles concordam que o governo tem que reforçar a capacidade de garantia de obras de infraestrutura através de um fundo garantidor. Para Pitombeira, toda a capacidade disponível será utilizada, porque a demanda tem sido sempre maior que a oferta. "Concordo que existe necessidade de capacidade adicional porque daqui até o final, com Copa do Mundo e Olimpíadas, a demanda será ainda maior", diz. Segundo ele, a companhia suíça tem tanta convicção de que há demanda forte por seguro garantia que decidiu, no ano passado, investir no Brasil neste segmento. Há 20 anos no Brasil, a Zurich nunca tinha operado com garantia, mas em 2009 pediu e recebeu autorização para abertura no país de uma resseguradora na modalidade admitida para operar em vários ramos, inclusive seguro garantia. "Este veículo (a resseguradora) permite acessar a nossa capacidade de US$ 500 milhões em seguro garantia por apólice." Ele se refere ao volume de recursos que a seguradora mantém alocada na matriz para atender suas operações em outros países. No ano passado, a Zurich estreou no segmento com a participação no consórcio de seguradoras que garantiu as obras da hidrelétrica do Rio Madeira. "A decisão de entrar no negócio de seguro garantia no Brasil foi baseada na constatação de que o mercado tem uma demanda reprimida", disse Pitombeira. Ele concorda com especialistas e vê alternativas para ampliar a participação do setor privado como, por exemplo, um programa para "facilitar o ingresso de novos seguradores no país".(C.P.L.)