Título: Receosa, Bacabeira aguarda chegada de obra redentora
Autor: Góes, Francisco
Fonte: Valor Econômico, 14/05/2010, Empresas, p. B1

De Bacabeira (MA)

Os bacabeirenses, gentílico que denomina os habitantes de Bacabeira, vivem hoje uma mistura de esperança e receio em relação ao futuro do município, situado 50 quilômetros ao sul de São Luís, a capital do Maranhão. "Ainda há dúvidas se a refinaria virá", afirma Dino Petronilio Silva, secretário-adjunto de finanças do município. A desconfiança se explica. Essa não é a primeira vez que Bacabeira aparece como candidata a receber um grande projeto industrial. Até hoje, porém, nada aconteceu. Há cinco anos, surgiu a possibilidade de Bacabeira receber uma usina siderúrgica da Vale em parceria com os chineses da Baosteel, mas o projeto não foi adiante. Agora, aparece uma nova oportunidade de esse pequeno município, de apenas 15.574 habitantes, segundo dados do IBGE, crescer e distribuir riqueza. Em janeiro, o presidente Lula esteve em Bacabeira para lançar a pedra fundamental da refinaria premium da Petrobras, projeto estruturante com impactos em toda a economia do Maranhão, como diz o secretário de Indústria e Comércio do Estado, Maurício Macedo. Para Bacabeira, a refinaria também pode significar uma revolução. Hoje, o município tem a economia sustentada na atividade de pedreiras e de algumas cerâmicas, além dos empregos criados pela prefeitura. Bacabeira não tem hospitais, só posto e centro de saúde, nem saneamento básico. Este ano o município, emancipado de Rosário em 1994, recebeu o primeiro cartório. Apesar da infraestrutura precária, Bacabeira está tornando-se destino de imigrantes em busca de empregos que deverão ser criados com a implantação da refinaria da Petrobras, diz Dino Silva, que cuida das finanças do município. Ele acredita que a população do município já passou de 20 mil habitantes. Muitas pessoas moram em Bacabeira, mas trabalham em São Luís, o que confere ao local uma característica de cidade-dormitório. O advogado José Guilherme Zagallo, ligado à área ambiental em São Luís, afirma que Bacabeira e Rosário não têm a menor estrutura para receber a refinaria. "Do ponto de vista social, a refinaria será crítica para as populações dos dois municípios", diz Zagallo. Ele também questiona os efeitos ambientais da refinaria e a forma como foi feito o licenciamento ambiental do projeto. Ele informou que entidades não governamentais com atuação na área ambiental pretendiam fazer denúncia ao Ministério Público Federal no Maranhão questionando a licença prévia da refinaria porque não teriam sido mensuradas emissões de gases que seriam cancerígenos. Luiz Alberto Domingues, gerente executivo da Petrobras que responde pelos programas de investimento da companhia na área de abastecimento, refuta as afirmações do advogado. Ele disse que os estudos e os relatórios de impacto ambiental, contratados junto à Universidade Federal do Maranhão, tiveram participações de outras empresas subcontratadas, as quais se encarregaram, por exemplo, dos levantamentos sobre emissões. "Não vemos essa baixa qualidade no estudo", disse Domingues. Ele também informou que na área social foi assinado acordo de cooperação com o Ministério das Cidades, Caixa Econômica Federal e BNDES para financiar estudos em vários projetos de refinarias em construção pela Petrobras. O trabalho, a ser feito por empresa contratada, deve abordar questões históricas, demográficas, econômicas, urbanas e sociais. Existem ainda estudos de mobilidade e muitos outros, disse Domingues. (FG)