Título: PMDB fecha o cerco contra dissidências estaduais
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 19/05/2010, Política, p. A9
PMDB fecha o cerco contra dissidências estaduais
A Executiva Nacional do PMDB definiu ontem o nome de Michel Temer (SP) como o candidato à vice na chapa presidencial de Dilma Rousseff. Em reunião ontem, a Executiva também confirmou para o dia 12 de junho a convenção nacional para ratificar a coligação com o PT e marcou para a partir do dia 15 o início das convenções estaduais. A cúpula pemedebista inicia, agora, um processo de persuasão dos que defendem uma aliança com o PSDB de José Serra. A escolha de Temer foi saudada por Dilma, que afirmou ter certeza de que o pemedebista "será um excelente vice". De acordo com Dilma, " o PMDB não é só um grande partido, mas um partido que sempre esteve ao nosso lado na estratégia de governo ao qual represento ". O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) apresentou uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral, indagando se há como impedir que os diretórios estaduais peçam votos para um candidato a presidente diferente do apoiado pelo diretório nacional. O esforço é para constranger, especialmente, São Paulo e Pernambuco. Tanto Orestes Quércia quanto Jarbas Vasconcelos trabalham abertamente na campanha do candidato José Serra. Segundo Eduardo Cunha, não há qualquer restrição a uma aliança local com partidos de oposição - Jarbas poderia, por exemplo, coligar-se com o DEM e o PPS, já que não existe mais verticalização. Mas não poderia mais pedir votos para Serra, caso a coligação com Dilma seja vencedora na convenção de 12 de junho. É um sinal de fidelidade ao PT e uma tentativa de diminuir a margem de manobra dos dissidentes durante a campanha. O argumento central é a fidelidade partidária. "O TSE já decidiu que o parlamentar tem que ser fiel ao partido durante o mandato, sob pena de perdê-lo. Não é mais justo que ele seja fiel também ao partido durante as eleições?", questionou o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). "Não há como achar que alguém é fiel no casamento se não houver um compromisso de fidelidade desde a época do namoro", completou Eduardo Cunha. Presidente da Fundação Ulysses Guimarães, o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) considera a consulta feita por Cunha exagerada e desnecessária. "Não há mais verticalização, não devemos impor nada a ninguém. È evidente que os diretórios estaduais terão de seguir a orientação nacional, qualquer que seja ela. O melhor caminho para uma boa convivência é não tentarmos interferir nas ações em nenhum dos níveis", afirmou ele. Outro ponto de discórdia é Minas. Na segunda, véspera da reunião da Executiva, Temer ligou duas vezes para o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra (PT-SE). Queria ter a certeza de que a aliança entre os dois partidos no Estado está mantida. Dutra assegurou que as negociações estão andando e que no dia 6 de junho a coligação será confirmada, com a indicação do candidato ao governo e ao Senado. Um pemedebista ouvido pelo Valor confirmou que a chapa terá Hélio Costa (PMDB) para o governo e Fernando Pimentel (PT) para o Senado. Mesmo assim, durante a executiva, o secretário-geral do PMDB, Mauro Lopes (MG), reclamou que existem resistências no PT local a coligar-se com o PMDB. Uma reunião do diretório mineiro com o senador Hélio Costa, candidato do partido ao governo mineiro, foi marcado para o início da noite de ontem. Segundo Henrique Alves, na coligação majoritária (governo e Senado) as coisas estão acertadas e que Mauro Lopes teria reclamado que não há acordo nas coligações proporcionais (deputados federais e estaduais). "Mas isso nunca esteve em discussão. Não dá para querer resolver os problemas por cima", reclamou Alves. Temer, que vai encontrar-se com Dilma em Nova York - a petista chega à cidade americana quinta-feira - iniciará assim que voltar uma série de viagens para tentar convencer os oposicionistas na legenda a apoiar a candidatura petista. No fim desse mês, por exemplo, terá uma reunião com prefeitos de Santa Catarina, Estado onde o governador licenciado, Luiz Henrique, defende uma aliança com o PSDB. O PMDB também enfrenta dissidências no Acre. Em outros Estados, como Mato Grosso do Sul, Tocantins e Rio Grande do Norte, a situação ainda está indefinida.