Título: Meta de inflação é mantida em 4,5% para 2012
Autor: Travaglini, Fernando; Otoni, Luciana
Fonte: Valor Econômico, 23/06/2010, Brasil, p. A6
de Brasília
O Conselho Monetário Nacional (CMN) manteve inalterada a meta de inflação para 2012. O centro da meta segue em 4,5% tanto para o próximo ano quanto para o seguinte, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A decisão foi unânime em votação do Banco Central e dos ministérios da Fazenda e do Planejamento, que compõem o CMN.
Este é o sexto ano consecutivo, desde 2005, no qual a meta de inflação oficial, medida pela variação anual do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), permanece em 4,5% anuais, com o intervalo de dois pontos percentuais. Todos os anos, no mês de junho, o presidente aprova e o Conselho Monetário Nacional sanciona a meta de inflação de dois anos à frente. De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o patamar foi mantido porque essa é "a meta que está dando certo".
"Nos últimos anos temos projetado essa meta", lembrou o ministro. "Ela tem permitido manter a inflação sob controle e, ao mesmo tempo, permitido a expansão da economia sem colocar o Banco Central em uma saia justa, numa camisa de força", afirmou Mantega, em entrevista coletiva depois da reunião.
Para o ministro, se o país tivesse uma meta menor neste ano, quando houve um choque de oferta que provocou aumento da inflação, o Banco Central teria de trabalhar com um juro mais elevado. "Essa é uma meta que está se revelando suficiente e razoável para cumprirmos nosso objetivo. Por isso, ela foi mantida", disse.
Mantega também considera que a inflação deve fechar o ano acima da meta, mas dentro do intervalo de tolerância. "Deveremos ter uma inflação acima do centro da meta, que poderá ser de 5% ou um pouco acima de 5%", anunciou. "Para 2011, a projeção é 4,6%, muito próxima do centro da meta", finalizou.
O CMN também decidiu manter a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) em 6% ao ano, que vai vigorar durante o terceiro trimestre de 2010. A taxa é considerada pelo Mantega em um "bom" patamar. "A TJLP é uma taxa de longo prazo, não reflete oscilações momentâneas. Ela olha para o longo prazo é para o longo prazo que ela está modelada."
De acordo com o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, a taxa é definida tendo com base a meta de inflação (4,5%) e também um risco país de 150 pontos base.
Em outro voto, o CMN aprovou a liberação de R$ 100 milhões para oferta da rede bancária a para Estados e municípios, na linha Pró-Transporte. Foi eliminado, ainda, o prazo-limite para a contratação de crédito do Programa de Modernização da Administração das Receitas e da Gestão Fiscal, Financeira e Patrimonial das Administrações Estaduais.
O CMN também dobrou de R$ 1 mil para R$ 2 mil o teto do saldo das contas simplificadas - criadas desde 2004 com poucas exigências de documentação, para ampliar o número de correntistas bancários. Segundo o Banco Central, cerca de 5,7 milhões dessas contas para a população de baixa renda foram abertas em toda a rede bancária. O valor da movimentação mensal aumentou de R$ 3 mil para R$ 5 mil.