Título: Gasto da União com obras aumenta 80% no ano
Autor: Travaglini, Fernando; Otoni, Luciana
Fonte: Valor Econômico, 30/06/2010, Brasil, p. A4

O investimento federal aumentou 80% nos primeiros cinco meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado. Essa alta já foi maior nos meses anteriores (116% até março e 89% até abril), indicando que percentualmente o crescimento em relação a 2009 pode recuar até dezembro. Mesmo percentualmente menor, ele deve impactar o resultado primário do governo.

Entre janeiro e maio, o pagamento de obras de infraestrutura somou R$ 16,7 bilhões. O secretário do Tesouro, Arno Augustin, estima que no fim do ano o investimento feito pelo governo federal (exclui as estatais) deverá ficar entre 1,3% e 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), acima do pouco mais de 1% no ano passado.

A tendência, indicou Augustin, é que esse maior desembolso passe a pesar no resultado primário do governo central, provocando a redução da economia fiscal, embora sem risco de descumprimento da meta de economizar 3,3% do PIB. "O investimento maior agora influencia mais o primário, antes isso não ocorria porque era muito baixo", explicou. Em maio, o governo central registrou déficit de R$ 509 milhões, no pior resultado para o mês desde 1999, influenciado por maior evolução dos gastos que das receitas.

Dos R$ 16,7 bilhões de investimentos pagos nos cinco primeiros meses do ano, R$ 12,6 bilhões referem-se a restos a pagar de 2009 que migraram para este ano. Com isso, dos R$ 65,7 bilhões que o orçamento estabeleceu para gastos com infraestrutura neste ano, foram usados R$ 4 bilhões de janeiro a maio. Esse desempenho evidencia que o maior ritmo de investimento ocorre graças à maior execução de obras iniciadas com recursos de orçamentos de anos anteriores. Os maiores desembolsos ocorreram em obras tocadas pelos ministérios dos Transportes (R$ 4 bilhões), Defesa (R$ 2,8 bilhões), Educação (R$ 2,1 bilhões) e Cidades (R$ 2 bilhões).

O ritmo mais dinâmico de obras públicas e o crescimento vigoroso neste ano estão distorcendo a comparação do investimento em proporção ao PIB entre 2009 e 2010. Nos cinco primeiros meses do ano passado, o aumento real desses desembolsos frente à expansão nominal do PIB foi de 21% e em igual período deste ano subiu para 58,3%.

Ao comentar o resultado fiscal de maio, Augustin informou que o Tesouro fará emissão de títulos brasileiros no exterior nas próximas semanas. A circunstância será definida quando o governo notar menor tensão nos mercados externos em meio à crise europeia. Ele avaliou como "muito positiva" a decisão da agência de classificação de risco Fitch de mudar a perspectiva de rating soberano do Brasil (nota de risco de crédito) de estável para positiva. (LO)