Título: Chanceler da Argentina trata do Uruguai no Brasil
Autor: Rittner, Daniel
Fonte: Valor Econômico, 30/06/2010, Brasil, p. A3

A proposta do presidente uruguaio, José Mujica, para que o Brasil tenha papel mais ativo no conflito entre Uruguai e Argentina, deve fazer parte da primeira conversa do recém-nomeado ministro de Relações Exteriores argentino, Héctor Timerman, com o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim. Após ser empossado, Mujica firmou acordo com a Argentina para pôr fim aos bloqueios de pontes entre os dois países, motivado pela construção de uma fábrica de pasta de celulose no rio Uruguai, que serve de fronteira. Mujica quer que o Brasil fiscalize o cumprimento do acordo.

Oficialmente, a visita de Timerman, que chega hoje e passará cerca de 12 horas no Brasil, se destina apenas a fazer as apresentações do novo chanceler e "aprofundar os laços de amizade e cooperação", como informou o próprio ministro. Ele visitou ontem o Uruguai, para se encontrar com as autoridades locais. O antecessor de Timerman, Jorge Taiana, foi demitido por atritos com a presidente Cristina Kirchner, entre eles uma entrevista na qual o então ministro confirmou a proposta ao Brasil para participar dos acertos entre Uruguai e Argentina.

Pelo twitter, o novo ministro informou, antes de partir ao Uruguai, que levaria aos "amigos" do governo Mujica "uma proposta ampla, baseada na ciência, com objetivo de cuidar do meio-ambiente". O acordo dos dois países prevê levantamento das barreiras à circulação na fronteira fluvial e monitoramento ambiental no rio Uruguai (para o qual os uruguaios convidaram o Brasil). O novo ministro não informou que temas deve abordar na agenda com o chanceler Celso Amorim.

Os brasileiros, que reservadamente têm pressionado o governo Kirchner para cessar as hostilidades contra o Uruguai, dizem que só atuarão oficialmente se houver pedido dos dois países. Há expectativa, entre os diplomatas, de que Timerman trate, além do acordo com o Uruguai, do mecanismo de parceria estratégica firmado recentemente e que inclui financiamento a empreendimentos argentinos pelo BNDES e pelo Banco de la Nación. Não há ainda, porém, decisão sobre como será posto em prática o mecanismo anunciado na semana passada.