Título: Vendas ao país devem voltar ao nível recorde de 2008
Autor: Leo , Sergio
Fonte: Valor Econômico, 28/07/2010, Brasil, p. A3
O Brasil deve recuperar, neste ano, o recorde de exportações ao Chile, alcançado em 2008, de quase US$ 4,8 bilhões, e o comércio total com o país andino, somadas as importações feitas para o mercado brasileiro, deve chegar a US$ 10 bilhões até 2011, prevê o embaixador brasileiro em Santiago, Mário Vilalva, ex-diretor do departamento de Promoção Comercial do Itamaraty. "Vínhamos superando ano a ano o volume de exportações ao Chile, até o ano passado. Vamos retomar esse ritmo", garante.
Em 2009, com a crise financeira, as vendas ao mercado chileno caíram quase 45% depois de um período de crescimento que se acelerou entre 2004 e 2006 e perdeu ritmo nos dois anos seguintes. Em 2010, as vendas foram favorecidas pela recuperação da economia chilena, após a crise financeira e o forte terremoto que abalou o país no início do ano. A reconstrução do país, após a catástrofe em fevereiro, aumentou a demanda por materiais de construção, aço e máquinas e equipamentos industriais. A principal siderúrgica chilena, CAP Huachipato paralisou a produção e só a retomou no início de julho, o que estimulou compra de produtos siderúrgicos de fornecedores como o Brasil.
A eleição de Sebastian Piñera, no início do ano, foi acompanhada de melhoria de expectativas entre empresários e toda a população o que, na opinião de analistas locais, estimulou o consumo interno. Após queda de 1,9% em 2009, a economia chilena registrou crescimento de 7,1% em maio, acima do esperado, e deve chegar ao fim do ano com crescimento em torno de 4,7%, com inflação inferior a 4%.
A recuperação nos preços de commodities contribui para aumentar o valor da vendas ao Chile, que, apesar da queda nos preços de seu principal produto de exportação, o cobre, tem facilidade de financiamento internacional e é um dos raros países sem dívida pública líquida.
Vilalva aposta no impulso das vendas de produtos como aviões, alvo de contratos da Embraer com o governo chileno, mas também alimentos. Após anos de negociação, o Brasil conseguiu suspender o embargo à carne bovina, levantado desde o surto de febre aftosa em 2005. O resultado foi imediato, com as vendas de carnes desossadas de bovinos passando de 355 quilos, no primeiro semestre de 2009 para mais de 26 toneladas entre janeiro a junho deste ano, o que elevou o produto ao décimo lugar na pauta de exportações brasileira ao Chile.
O sinal verde das autoridades sanitárias ajudou as vendas de outros produtos alimentícios não sujeitos a embargo, como pedaços de frango congelados, cujas vendas cresceram mais de 830% no primeiro semestre. A solidez da economia chilena e seu ritmo de crescimento devem garantir a demanda para mais produtos brasileiros, que, acredita o embaixador, tende a aumentar também com os investimentos de empresas brasileiras no território chileno, hoje em torno de US$ 2 bilhões. (SL)