Título: Tucano poupa a Receita e responsabiliza PT
Autor: Klein, Cristian
Fonte: Valor Econômico, 03/09/2010, Política, p. A14
De São Paulo
O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, disse ontem que a Receita Federal "está sendo prejudicada pela ação dos arapongas do PT", em resposta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disse confiar no órgão. Para o tucano, há impressões "digitais e visuais" de que a campanha da adversária Dilma Rousseff (PT) foi beneficiada pelos casos de violação de sigilo fiscal na Receita Federal, incluindo o de sua filha, Verônica Serra.
Em entrevista à rádio Jovem Pan, Serra insinuou que nomes de envolvidos na quebra dos sigilos vão aparecer na "folha de pagamento" do PT. "O problema é que os petistas conseguiram desprestigiar a Receita no país", disse Serra, após reunião com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.
Sobre os processos por calúnia movidos pelo PT contra ele e o PSDB, Serra invocou a prerrogativa da "exceção da verdade", na qual o suposto caluniador pode provar a veracidade de suas afirmações durante o processo. O candidato acusou o PT de usar os processos contra ele para desviar a atenção da imprensa sobre a quebra de sigilo.
O presidenciável vê uma "operação abafa" para evitar investigação na Receita Federal e relacionou o caso da quebra de sigilo de pessoas ligadas ao PSDB à violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos, em 2006. Na época, o escândalo causou a saída do Ministério da Fazenda de Antonio Palocci, hoje um dos comandantes da campanha de Dilma. "Francenildo somos todos nós. Ninguém pode se sentir seguro no país", disse. Serra atribuiu a responsabilidade das violações a Dilma, e chamou de "brincadeira" o pedido feito pela petista para que ele prove que ela tem alguma culpa. "Dilma é responsável porque é responsável pela campanha."
Ontem, o juiz Márcio Martins Bonilha, corregedor dos tabelionatos e cartórios de registros civis de São Paulo, abriu inquérito sobre a participação do 16º Tabelião de Notas de São Paulo na falsificação da procuração usada para quebrar o sigilo fiscal da filha de Serra. Segundo o juiz, duas escreventes do cartório devem prestar depoimento na próxima sexta-feira.
De acordo com Bisognin, "a falsificação do reconhecimento de firma é grosseira" e Verônica Serra "nunca teve cartão de assinatura neste cartório". Bisognin apontou diversas irregularidades na autenticação: o nome dele está grafado incorretamente; o código de segurança, a assinatura da escrevente e marca holográfica são falsas, falta o número do cartão de assinatura e o selo colado na procuração foi retirado de um documento emitido em 18 de setembro de 2008.
Na quarta-feira, a Receita informou que a procuração é falsa. Ontem, a Justiça Federal acolheu pedido da Polícia Federal para devassar os computadores dos suspeitos de envolvimento na quebra dos sigilos fiscais.
O vice-líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP) ,vai pedir a abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o caso. Além da assinatura de 171 deputados e de 27 senadores, o requerimento precisa ser submetido ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), colega de partido do presidente da Câmara e vice na chapa de Dilma, Michel Temer (SP). Entre os congressistas, a CPI não deve ir adiante. "Não tem sentido CPI agora, o Congresso está vazio. Só se for uma CPI espírita, já que ninguém volta para cá antes das eleições", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). (Com agências noticiosas)