Título: Serra usa maior parte do seu tempo de TV para atacar Dilma
Autor: Klein, Cristian
Fonte: Valor Econômico, 03/09/2010, Política, p. A14

de São Paulo

Os desdobramentos do escândalo da quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao presidenciável José Serra (PSDB) se tornaram munição para o maior ataque feito pela campanha tucana ao governo e à Dilma Rousseff (PT), desde o início do horário gratuito na TV.

Dessa vez, o próprio candidato abordou o assunto, numa gravação feita na madrugada e exibida ontem em seu programa noturno. No pronunciamento, Serra se disse indignado com a violação do sigilo fiscal de sua filha, Verônica, "que nunca se meteu em política".

O tucano denominou o episódio de "uma baixaria" e responsabilizou seus adversários no governo e no PT pela quebra do sigilo. Serra afirmou que se preparou a vida inteira para exercer funções públicas, mas que "jamais aceitaria ser presidente a qualquer preço".

Os ataques referentes ao caso, diferentemente das outras duas vezes em que foram exibidos, não apareceram no fim - abriram logo o programa. O assunto foi tratado durante cinco minutos dos mais de sete de duração do programa.

A abertura, em tom de denúncia, comparou a quebra de sigilo da filha de Serra ao episódio da eleição de 1989, quando Fernando Collor atacou Luiz Inácio Lula da Silva, levando ao horário gratuito Miriam Cordeiro, uma ex-namorada de seu adversário, que afirmava ter sido incentivada a abortar. A menção a Collor foi aproveitada para mostrar um vídeo recente em que o ex-presidente, retirado do poder após impeachment, pede voto para Dilma.

Na sequência, a propaganda recordou outros escândalos que tiveram petistas entre os protagonistas, como o mensalão de 2005, a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo e o episódio dos aloprados, de 2006, que também veio à tona em meio à campanha presidencial.

O programa baseou-se, mais uma vez, em notícias publicadas pela imprensa para divulgar o que chamou de "armação".

"Primeiro, violaram o Imposto de Renda de pessoas ligadas ao Serra. Agora, violaram o Imposto de Renda até da filha dele. É como se alguém usasse a sua senha de banco, vasculhasse a sua conta, invadisse sua casa, revirasse suas gavetas, só para te prejudicar", afirmou um apresentador.

A propaganda de rádio também foi outra trincheira para os ataques tucanos. O tom mais popular, que apela para a musicalidade e o humor, não foi, porém, menos virulento que a campanha na TV.

Comparações entre o mundo da política e do futebol foram usadas para ressaltar a carreira do tucano.

"O Serra tem experiência. É um craque para governar o Brasil. A Dilma, não. É que nem o Dunga. Nunca foi técnico de nenhum time. Foi para a Seleção e deu no que deu".

Em seguida, o programa lançou mão de outra metáfora, comparando o exercício da Presidência à direção de um veículo, pois o cargo deveria ser assumido por alguém que saiba "pilotar de verdade".

Ari, um personagem de sotaque nordestino e a voz semelhante ao do presidente Lula, chama Dilma Rousseff de "garupeira", no que é logo interrogado por outro personagem sobre qual seria o significado da palavra.

"Garupeira é quem só anda na garupa dos outros, "homi". Quem quer ser famoso com a fama dos outros, quem pega o carro andando e quer sentar na janelinha", diz Ari.

Um jingle em tom jocoso segue a mesma linha: "A Dilma sem patrão/ Aí que eu quero ver/ Os radicais, o Zé Dirceu mais o MST/ Toc, toc, toc/ Bate na madeira/ Dilma sem Lula/ nem de brincadeira".

Sem se preocupar em responder aos ataques, a propaganda de Dilma seguiu os anteriores ao mostrar os avanços do governo Lula para a população.